Ansa
De Londres
Às vésperas da audiência marcada para esta sexta-feira, na qual a Justiça britânica anunciará se aceita ou não o pedido feito pela Espanha para extraditar o general da reserva chileno Augusto Pinochet, o juiz Ronald Bartle isentou o ex-ditador da obrigatoriedade de estar presente no tribunal de Bow Street, em Londres, para ouvir a sentença. ‘‘A saúde do general Pinochet poderia abalar-se ainda mais se fosse obrigado a comparecer para a audiência’’, disse Bartle. Ontem, a ex-primeira-ministra Margaret Thatcher defendeu Pinochet em um congresso do seu partido.
Pinochet cumpre prisão domiciliar em Londres desde 16 de outubro do ano passado, quando a polícia britânica atendeu a um pedido de prisão emitido pela Justiça da Espanha, que pretende extraditá-lo e julgá-lo por crimes contra a humanidade. O magistrado disse ter levado em conta o testemunho do médico de Pinochet, segundo o qual o ex-ditador, de 83 anos, sofreu dois acidentes vasculares cerebrais e está à beira de um terceiro derrame.
Grupos de defesa de direitos humanos atribuem os relatos sobre os problemas de saúde de Pinochet a uma estratégia da defesa do general para convencer o secretário de Interior britânico, Jack Straw, a permitir a volta dele ao Chile por ‘‘razões humanitárias’’.
Entre as mais veementes defensoras da libertação de Pinochet está a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, que, pela primeira vez desde 1990, discursou ontem num congresso de seu Partido Conservador em Blackpool, no norte do país.
‘‘O que a esquerda não pode esquecer nem perdoar é o fato de Pinochet ter salvado o Chile e ter ajudado a salvar a América do Sul’’, disse Thatcher.
Ela diz reconhecer que houve abusos no sangrento golpe liderado por Pinochet em 1973 contra o então presidente socialista Salvador Allende. Mas argumenta que o ex-ditador não pode ser responsabilizado por eles.

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