O líder da Confederação Geral do Trabalho ‘‘rebelde’’, Hugo Moyano, anunciou ontem que a central operária se manifestará amanhã, em frente à Casa Rosada (a sede do governo), para exigir a revogação da polêmica reforma trabalhista sob suspeita de ter sido aprovada graças ao pagamento de subornos aos senadores.
Moyano – líder dissidente da Central Geral do Trabalhadores, liderada por Rodolfo Daer e que apóia o governo – convocou o protesto sindical antes de prestar depoimentos ao juiz Carlos Liporaci, encarregado de investigar as denúncias de pagamento de propinas a senadores peronistas e opositores.
A mobilização convocada por Moyano coincidirá com a ‘‘jornada nacional de protesto’’ convocada pela Frente de Sindicatos Estatais, que inclui a suspensão das atividades do funcionalismo – que protesta contra o corte entre 12% e 15% nos salários da categoria. Os funcionários já entraram com processo contra a medida, mas perderam em várias instâncias, e aguardam agora uma decisão a respeito por parte da Suprema Corte de Justiça.
Ao mesmo tempo, o vice-presidente Carlos ‘‘Chacho’’ Alvarez – que está à frente do Senado e assumiu ontem interinamente a Presidência em função da viagem para o exterior do presidente Fernando de la Rúa –, em declarações a emissoras de rádio, mostrou-se disposto a acatar a sugestão de alguns senadores no sentido de analisar os mecanismos constitucionais para determinar se é possível antecipar as eleições de renovação total do Senado, previstas para 2001.
O presidente Fernando de la
Rúa se ausentou ontem da Argentina por 15 dias, deixando para trás a pior crise política do país desde a restauração da democracia há 16 anos, após assegurar que as instituições não correm perigo e que por enquanto não haverá mudanças em seu gabinete.
Ele visitará o México, os EUA, Canadá e China, em viagem que tem como principal objetivo a abertura de novos mercados para as exportações argentinas.
A crise interna se iniciou na semana passada, quando o juiz Carlos Liporaci disse haver suficientes evidências para confirmar denúncias de suborno no Senado, que comprometeriam vários legisladores da oposição peronista e alguns da própria Aliança governista.
As propinas teriam sido pagas para facilitar a aprovação, em abril, da controvertida reforma trabalhista proposta pelo ministro do Trabalho Alberto Flamarique, à qual os sindicatos operários opunham forte resistência.
De la Rúa declarou que ‘‘até agora há apenas indícios’’ dos supostos subornos, e que seu governo colaborará amplamente com a Justiça, e que por enquanto não haverá mudanças no governo.

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