Marcha na Irlanda termina em paz
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domingo, 08 de julho de 2001
Associated PressDe Portadown, Irlanda do Norte 
Desafiantes mas desmoralizados, líderes da maior irmandade protestante da Irlanda do Norte prometeram que não haveria violência, porém as forças de segurança britânicas preferiram armar um bloqueio para sua mais controvertida manifestação religiosa, que aconteceu ontem pelo quarto ano consecutivo.
Apelo para que haja paz e calmaria nos próximos dias, disse o líder da Ordem de Orange em Portadown, Harold Gracey, aos cerca de 2 mil manifestantes que marcharam na direção de uma barricada armada pelo Exército da Grã-Bretanha para evitar que os protestantes passassem pelo distrito católico de Garvaghy Road.
Cerca de 1,6 mil soldados foram deslocados para a área. Porém, a maior parte dos participantes voltou para casa após o discurso de Gracey em frente a igreja anglicana de Drumcree, restando apenas algumas centenas de fiéis. A Irlanda do Norte, também conhecida como Ulster, é uma província britânica.
As autoridades temiam a erupção de confrontos entre as duas comunidades, uma vez que o processo de paz na Irlanda do Norte vive um sério impasse depois que o primeiro-ministro David Trimble renunciou, na semana passada, por não ter conseguido que o grupo extremista católico Exército Repúblicano Irlandês (IRA) depusesse suas armas.
A marcha da Ordem de Orange é a mais polêmica e o ponto alto da temporada de desfiles em comemoração à vitória do rei protestante Guilherme de Orange sobre o rei católico Jaime II, em 1690.
A Comissão de Desfiles do Ulster proíbe seu roteiro tradicional, com passagem pela Garvaghy Road, setor católico de Portadown, por causa dos violentos confrontos ocorridos em 1995.
Os dirigentes da ordem manifestaram seu protesto contra a proibição à polícia da Irlanda do Norte, mas não tentaram romper a barreira. O número de participantes desta vez era bem inferior ao de marchas anteriores.
No decorrer da semana, haverá uma rodada de conversações em Weston Park, na Inglaterra, entre os primeiro-ministros da Grã-Bretanha, Tony Blair, e da República da Irlanda, Bertie Ahern, e dirigentes dos partidos norte-irlandeses que apóiam o processo de paz. O objetivo é chegar a um acordo para a formação de um novo executivo na região.
Ontem, em Dublin, a polícia anunciou a prisão de dois supostos dissidentes do IRA e a descoberta de armas em um campo utilizado para o treinamento de militantes. De acordo com a polícia, a apreensão e as prisões ocorreram nas cidades de Naas e Newbridge, no condado de Kildare, a oeste de Dublin, após diversos dias de investigaçÕes.
Dissidentes contrários à adesão do IRA a um cessar-fogo em 1997 prosseguiram com uma campanha armada, realizando ataques esporádicos na Irlanda do Norte e na Inglaterra.


