Ansa
De Havana
Mais de 100 mil mães e avós cubanas desfilaram nesta sexta-feira pela emblemática avenida costeira conhecida como ‘‘Malecón de La Habana’’, em frente à sede da Seção de Interesses dos Estados Unidos para exigir o retorno à ilha do garoto Elián Gonzalez.
A numerosa marcha, sem precedentes desde o triunfo da revolução cubana em 1º de janeiro de 1959, deixou em evidência a decisão do governo e do povo cubano de seguir protestando até o regresso do menor a Cuba.
‘‘Devolvam nosso filho’’, ‘‘Devolvam Elián’’, ‘‘Liberdade para nosso garoto’’, ‘‘Elián, a pátria te espera’’, gritavam as mães e avós ao passar em frente à representação diplomática norte-americana em Havana.
Centenas de estudantes da escola militar, conhecidos como os ‘‘camilitos’’, formaram um cordão de proteção à sede norte-americana enquanto policiais uniformizados cuidavam dos milhares de manifestantes.
O desfile com bandeiras cubanas foi liderado simbolicamente pelo garoto Ianni González, de quatro meses, irmão de Elián, enquanto sua avó paterna Mariela García, na primeira fileira da marcha, declarava à imprensa sua disposição de viajar aos Estados Unidos para trazer o neto de volta.
Entre as dirigentes cubanas que marcharam ontem estavam Wilma Espín, presidente da Federação de Mulheres de Cuba (FMC), a ministra de Investimento Estrangeiro, Marta Lomas, a titular da pasta de Ciência e Tecnologia, Rosa Elena Saimeón, e Caridad Diego, responsável pelos Assuntos Religiosos do Partido Comunista de Cuba.
Minutos antes de começar o desfile, às 10 horas locais, foram cantados o hino da Internacional Socialista e canções de Silvio Rodríguez, o famoso trovador cubano.
As manifestações organizadas na ilha são transmitidas ao vivo pela rádio e pela televisão locais em um clima de agitação jamais visto em 41 anos de revolução.