Marca Che provoca polêmica
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de agosto de 1997
France Presse Havana 
A mercantilização da figura do mítico guerrilheiro argentino-cubano Ernesto Che Guevara provocou uma polêmica entre delegados no 14º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, que se realiza desde segunda-feira em Havana. Para alguns jovens, a imagem do Che estampada em camisetas, cartazes, chaveiros, cinzeiros e outros souvenirs serviu de conduto para se iniciar no conhecimento da vida do legendário revolucionário, mas para outros com a massificação de sua figura tenta-se apagar a obra do médico guerrilheiro, segundo depoimentos recolhidos entre os participantes do festival pelo semanário cubano Juventud Rebelde.
Nestes dias de festival, ao qual assistem cerca de 12.000 representantes de mais de 120 países, passeiam dezenas de jovens pelas ruas de Havana usando orgulhosamente camisetas com o rosto de Che. Uma camiseta com a figura mítica de Che - cabelo no ombro, boina preta com uma estrela na frente - custa entre US$ 5 e US$ 7, enquanto um chaveiro custa US$ 1. Nunca entendi aqueles que o exibem na roupa como se fosse um estandarte. Temos que levar o Che dentro da gente, disse ao semanário dominical Víctor Leal, membro da delegação boliviana.
Por sua vez, um jovem americano afirmou: Levar o Che numa camiseta é o melhor que podemos fazer quando andamos pelas ruas dos Estados Unidos. Quando todos desconhecem ou se calam, alguém deve mostrá-lo sem medo. Há alguns dias, o escritor mexicano Carlos Fuentes, em declarações à imprensa brasileira, lamentou que o Che esteja nas camisetas: É o mundo do consumismo que ele sempre combateu. É terrível que se tenha convertido numa figura pop como Jimmy Hendrix ou Madonna.


