Buenos Aires -O ídolo do futebol argentino, Diego Maradona, voltou ontem a jogar golfe pela terceira vez desde que, na quinta-feira passada, de forma surpreendente e numa decisão pessoal, deixou a clínica onde estava internado há 12 dias, com um quadro cardíaco-pulmonar que o deixou à beira da morte.
O ex-craque da seleção argentina subiu no carrinho de golfe equipado com tacos às 10H45 locais (e de Brasília) e se dirigiu para as quadras da luxuosa casa de campo e haras onde está hospedado na zona rural de General Rodríguez, 50 km a noroeste da capital argentina.
Maradona, 43 anos, passou sua segunda noite nesta residência com um pequeno número de amigos e colaboradores, após conceder na sexta-feira a primeira entrevista para a TV desde que deixou a clínica. A entrevista foi dada à apresentadora de televisão Susana Gimenez e Maradona aproveitou a ocasião para agradecer o afeto recebido durante o período em que esteve internado, boa parte sedado e ligado a um respirador artificial. ''Agradeço a todos que rezaram por mim'', disse Maradona, lamentando os dias em que esteve à beira da morte. ''Vi a morte de perto e quero que me belisquem, mas que também me façam carinho'', frisou o ex-jogador de futebol.
Maradona, ainda com a voz arrastada, declarou na sua primeira entrevista após deixar a clínica: ''Quero ver todo mundo. Viajar, viajar, viajar para ver o povo. Gostaria de ir às Olimpíadas (em Atenas), mas também ver o povo no Iraque e como está o Afeganistão. Quero vê-lo, quero senti-lo. Quero acordar, ver todos que choraram por mim''.
''O Barba (Deus) quando quer nos leva. Me lembro de um filme: 'O céu pode esperar', onde um cara morre quando entra em um túnel e depois reclama porque não era ele que deveria morrer. Eu entrei neste túnel e veio a torcida do Boca, do River, do San Lorenzo, Racing, Huracán, Independiente...'', disse Maradona para ilustrar o apoio recebido. Diante desta prova de carinho, ''seria injusto não mostrar meu respeito e admiração pela torcida argentina, em especial a do River'', arquiinimiga do Boca, o time favorito de Maradona.
O ex-jogador disse que passa o final de semana em Buenos Aires e fica na Argentina até o dia 21 de maio, quando Giannina, sua filha mais nova, fará 15 anos. Depois tem planos de viajar a Cuba e a Rimini, na Itália, onde deve trabalhar no verão (boreal).
O ex-jogador aproveitou o aniversário da filha para ironizar a decisão do governo americano de não permitir sua entrada nos Estados Unidos: ''Queríamos fazer a festa em Nova York, mas como não deixam o pai entrar...''
''Não quero (o visto americano). Quero este'', afirmou Maradona ao mostrar sua tatuagem do líder cubano, Fidel Castro.
Maradona prometeu cuidar da saúde e disse que ficou com um ''vazio por dentro'' ao romper com seu amigo e empresário Guillermo Coppola, que acusa de desfalque. ''Tenho que cuidar primeiro do meu. Não estava tendo futuro. Fiquei com um vazio enorme por causa do Guillermo, mas este vazio não vai alimentar as meninas...O que quero é seguir vivendo sem ferrar ninguém, sem me meter com os outros, e que respeitem minhas filhas. Quero ter tempo para proteger minhas filhas''.
Maradona disse várias vezes que ama muito as duas filhas, sua esposa Claudia VillafaÀe, de quem está se divorciando, e toda sua família. O ex-jogador falou também de um jovem chamado Nahuel, do humilde bairro de Villa Palito, na periferia de Buenos Aires, que levou uma camisa de presente para ele no hospital. ''Me deixou um presente, não sei se amanhã vou ganhar outro'', disse ao beijar a camisa.

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