São Paulo - Um dos maquinistas do trem que descarrilou em Santiago de Compostela, na Espanha, será acusado hoje por ter provocado o acidente, que deixou 80 mortos e 130 feridos. Ele está internado em um hospital da cidade sob custódia policial.
A Suprema Corte da comunidade autônoma da Galícia informou hoje que a polícia ouvirá o depoimento de Francisco José Garzón Arno, de 52 anos, que ficou levemente ferido após o acidente, a pedido do juiz responsável pelo caso.
O magistrado ainda pediu as gravações da caixa-preta do trem, assim como os dados do tacógrafos e dados disponíveis em informes da Renfe, empresa estatal responsável pela ferrovia. Testemunhas também serão ouvidas pela investigação.
De acordo com a Renfe, o maquinista trabalha há 30 anos na empresa, sendo que 13 anos conduzindo trens e mais de um ano operando os trens híbridos que fazem a linha entre a capital Madri e Ferrol, na Galícia, onde ocorreu o acidente.
A informação foi confirmada pelo secretário-geral do Sindicato dos Maquinistas, Juan García Fraile, que afirmou que Garzón deveria conhecer a infraestrutura e a linha. O trecho entre Ourense e Ferrol foi construído para uso de trens de alta velocidade, mas ainda não contava com a sinalização correspondente.
No trecho próximo a Angrois, os maquinistas eram obrigados a fazer manualmente uma redução de velocidade de 200 km/h para 80 km/h por causa da curva acentuada. Segundo a imprensa espanhola, o trem entrou a 190 km/h na curva.
Os jornais espanhóis exibiram fotos da página de Francisco Garzón na rede social Facebook. Em uma delas, o maquinista mostra que pilotava um trem a 200 km/h. A conta foi apagada, mas as imagens foram compiladas por usuários da rede e do microblog Twitter. Respondendo a um dos comentários, em que um contato se mostrava preocupado com a velocidade, ele disse: "Estou no limite, não posso correr mais, senão me multam".

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