Cairo - O ex-presidente da Suprema Corte Constitucional do Egito Adly Mahmud Mansur foi jurado ontem como presidente interino do Egito. Ele substitui o primeiro presidente democraticamente eleito no país, Mohammed Mursi, deposto anteontem.
Mursi foi deposto por um antecipado golpe militar, após milhões de manifestantes terem tomado as ruas durante a semana pedindo por eleições antecipadas. Ligado à Irmandade Muçulmana, o ex-presidente islamita completara um ano de governo no domingo.
Ele assumiu a liderança do Egito após protestos em massa destronarem o ex-ditador Hosni Mubarak, no início de 2011. Nos meses seguintes, lidou com um país em crise política e econômica e irritou a população com sua agenda conservadora.
Segundo informações das últimas horas, Mursi estaria detido, assim como parte de sua organização islamita. Não está claro qual será o seu futuro no país. Permanece também como incógnita a reação de seus seguidores para os próximos dias.
A cerimônia foi transmitida ao vivo pela emissora estatal. Em discurso, Mansur elogiou as manifestações e disse que a população egípcia lhe deu o poder para "consertar e corrigir a revolução". "O mais glorioso do último 30 de junho [dia mais intenso dos protestos] é que uniu a todos sem discriminação ou divisão."
Ele convidou a Irmandade Muçulmana ao diálogo, mesmo após Mursi ser deposto. "A Irmandade Muçulmana é parte desse povo e é convidada a participar a construir essa nação em que ninguém deve ser excluído. Se eles responderem positivamente ao convite, serão bem-vindos."
Na Praça Tahrir, as multidões foram esvaziadas após as celebrações da madrugada, e durante a manhã de ontem apenas grupos esparsos se manifestaram. Mas foram o suficiente para a histeria coletiva diante dos aviões militares que pintaram o céu com as cores da bandeira do Egito, durante o juramento do presidente interino Mansur.

Imprensa
A imprensa egípcia, com exceção do jornal da Irmandade Muçulmana, comemorou a vitória "legítima" do povo, depois que o Exército derrubou Mursi.

Protesto
Um grupo de partidos islâmicos do Egito convocou seus integrantes para um protesto para hoje contra a queda do presidente Mohamed Mursi. O anúncio foi feito horas após a prisão de Mohamed Badie, líder religioso da Irmandade Muçulmana.
Segundo fontes de segurança, ele foi preso em Mersa Matruh, cidade na costa do Mediterrâneo ao lado da fronteira com a Líbia. Ele era procurado por incitar à morte de manifestantes que, no domingo, protestavam diante da sede da Irmandade Muçulmana no Cairo.

Imagem ilustrativa da imagem Mansur presta juramento como presidente interino
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