Manobra naval chinesa aumenta tensão em Taiwan
France Presse
De Hong Kong
A China empreendeu manobras navais no estreito de Taiwan (Formosa) e decretou estado de alerta nos aeroportos situados ao Sul do país, informou ontem a imprensa de Hong Kong, falando do aumento da tensão entre Pequim e Taipé.
Por sua vez, a imprensa de Pequim lançou furiosos ataques contra o presidente de Taiwan, Lee Teng-hui, por ter reiterado o princípio da independência da ilha nacionalista.
O jornal Wen Wei Po, que reflete geralmente os pontos de vista do governo de Pequim, afirma que dez barcos de guerra chineses, que participam de exercícios navais, foram avistados a cerca de 200 milhas a Nordeste de Taiwan, durante toda a quinta-feira.
A imprensa de Hong Kong informa, por outro lado, que cerca de cem barcos civis participaram de uma manifestação naval, no Estreito de Formosa, ao som do hino comunista Devemos libertar Taiwan, nos alto-falantes.
Vários jornais de Hong Kong asseguraram na sexta-feira que o presidente chinês havia dado, na terça, uma ordem para que as tropas das regiões militares de Nankin (Leste) e Cantão (Sul) se pusessem em alerta de guerra.
Outros dois jornais confirmaram a informação neste sábado, apesar da recusa de um porta-voz de Pequim em comentar o assunto. Fontes ligadas a meios oficiais de Pequim disseram, por sua vez, que a China pôs em estado de alerta limitado suas tropas em Nankin, no ponto da costa chinesa mais próximo de Taiwan.
A origem desta nova situação está nas declarações do presidente Lee, que disse que Taiwan deve continuar sendo um país independente da China. Pequim respondeu imediatamente, anunciando que considera Taiwan uma província rebelde, desde quando o regime nacionalista se refugiou na ilha nacionalista, em 1949. O presidente taiwanês foi acusado de jogar com fogo, de se preocupar apenas com seu futuro político, de estar obcecado pelas eleições presidenciais do ano que vem, inclusive de recorrer ao suborno para dividir a pátria, aludindo aos esforços de Taiwan em obter reconhecimento no cenário internacional.
Depois de uma interrupção de três anos, devido a uma controvertida visita do presidente Lee aos Estados Unidos em 1995, o diálogo entre Pequim e Taipé foi finalmente restabelecido em abril de 1998.
Apesar da lentidão e dos constantes retrocessos, o diálogo prosseguiu até os últimos meses, tendo como auge a histórica visita a Taiwan do principal negociador chinês, Wang Daohan, prevista para o outono (boreal).
Os Estados Unidos, que têm relações privilegiadas com Taiwan ao mesmo tempo em que mantêm relações diplomáticas com Pequim, expressou seu desejo pela continuação do diálogo.
Pequim, que frequentemente reitera não ter renunciado ao recurso da força para recuperar a província rebelde, preconiza a reunificação, dentro de novos moldes: um país, dois sistemas. Mas esta fórmula utilizada para Hong Kong foi formalmente rechaçada por Taiwan. Taipé exige a instauração da democracia na China, antes de qualquer hipótese de reunificação.





