São Paulo - Centenas de manifestantes ocuparam a praça Tahrir, no Cairo, na madrugada de ontem para protestar por reformas políticas e econômicas e pela renúncia do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.
Um dia após a morte de três pessoas nos protestos, a polícia voltou a usar gás lacrimogênio e canhões de água para dispersar os manifestantes - ação que acabou com um saldo de cerca de 150 feridos.
A polícia conseguiu tomar o controle da praça até o amanhecer, depois dos confrontos da madrugada. Os manifestantes tomaram ainda as principais estradas da capital. ''Saia, saia Hosni Mubarak'', gritavam os manifestantes, depois de fugir da praça. Alguns jogaram pedras na polícia, que não poupou cassetetes para evitar que o local fosse retomado pelos manifestantes depois de dispersá-los com gás lacrimogênio.
''Vocês não são homens'', gritavam alguns dos manifestantes para os agentes. A polícia usou canhões de água para evitar a aproximação dos manifestantes, que avançavam em fileiras pela praça. Cerca de 150 manifestantes ficaram feridos durante a operação policial.
Apesar da madrugada de distúrbios, o clima na manhã foi de tranquilidade no Cairo. Na terça-feira, milhares de pessoas se manifestaram em diferentes pontos do Cairo para exigir a queda de Mubarak, no poder desde 1981, o fim da lei de emergência e a realização de eleições limpas, se juntaram no centro da capital em uma concentração sem precedentes no país.
Dois manifestantes na cidade de Suez, a leste de Cairo, morreram após serem atingidos por balas de borracha, segundo fontes médicas e de segurança. O agente policial identificado como Ahmed Abdelaziz ficou ferido na praça de Tahrir após ser atingido por uma pedra e morreu no hospital, informaram fontes locais.
O grupo de oposição Juventude Seis de Abril convocou em sua página na rede social Facebook novos protestos ''até a saída de Mubarak''.
Os protestos em massa que se espalharam pelo país significam uma ''oportunidade'' para que as autoridades egípcias realizem reformas, disse a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton. ''Nós acreditamos fortemente que o governo do Egito tem uma oportunidade nesse momento para implementar reformas políticas, econômicas e sociais que respondam às necessidades legítimas e aos interesses do povo'', disse em uma entrevista à imprensa.
Hillary recomendou ontem ao governo egípcio que não combata protestos pacíficos ou interfira no funcionamento dos veículos de comunicação, incluindo os de relacionamento como Facebook e Twitter, em meio aos protestos contra o ditador Hosni Mubarak.

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