Manifestantes tomam as ruas de Taiwan
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sábado, 27 de março de 2004
France Presse 
Taipé -Dezenas de milhares de manifestantes protestaram ontem nas ruas de Taipé contra a vitória do presidente Chen Shui-bian há uma semana em eleições impugnadas pela oposição.
Todas as ruas que dão acesso ao palácio presidencial foram invadidas pela multidão, apesar de uma chuva insistente. Os manifestantes foram levados em ônibus de diversos pontos da ilha e a oposição, dirigida pelo Kuomintang, havia previsto até meio milhão de pessoas para essa demonstração de força.
As barreiras reforçadas com arame farpado impediram que a multidão se aproximasse a menos de 200 metros da sede da presidência. Cerca de 5 mil policiais foram mobilizados para evitar excessos depois dos atos de violência da véspera e de uma advertência da China.
Os veículos policiais foram estacionados em torno da sede do Governo, separada por alguns poucos metros da sede do Kuomintang, enquanto os canhões de água foram colocados em bateria.
O porta-voz da presidência, James Huang, declarou que o presidente Chen ''espera que todos os participantes se mostrem serenos e racionais e que a manifestação termine de forma pacífica''.
Depois da promulgação do resultado na sexta-feira, os Estados Unidos enviaram suas felicitações ao vencedor, o que desencadeou ontem um protesto chinês. ''Somos inteiramente contrários a este gesto dos norte-americanos, que é errado e constitui uma ingerência nos assuntos internos chineses'', declarou o ministério chinês de Relações Exteriores.
Chen, um independentista odiado por Pequim, derrotou no sábado passado por pequena margem seu adversário do Kuomintang, Lien Chan, favorável a relações calmas com a China.
A oposição pediu a seus partidários que se manifestassem sem violência. Mas a promulgação dos resultados eleitorais na véspera provocou incidentes. Os militantes da oposição invadiram a sede da Comissão Eleitoral para protestar contra supostas fraudes que teriam permitido a Chen ganhar por menos de 30.000 votos (0,2%).
A manifestação foi mantida, apesar dos incidentes, assim como uma advertência da China. ''A parte continental não permanecerá impassível se a situação em Taiwan ficar fora de controle'', declarou na sexta-feira a Agência de Assuntos Taiwaneses do Conselho de Estado (Governo), citada pela agência oficial Nova China.
Também assinalou os riscos de ''distúrbios sociais que ponham em perigo a vida e os bens dos compatriotas taiwaneses e que afetem a estabilidade no estreito'' que separa a ilha do continente.
O ministério de Relações com a China manifestou seu ''grande descontentamento'' ante o que qualificou de ingerência nos assuntos taiwaneses. Um porta-voz do Kuomintang, Alex Tsai, também afirmou que Pequim não tem nada que fazer na política taiwanesa. ''Estes comentários mostram que vocês não têm nenhum respeito por Taiwan e são inaceitáveis para os taiwaneses. Por favor, calem a boca'', disse.


