Negociadores interpelados por grafites, suicídio simbólico, um ator fantasiado de Sol ou um dique de sacos de areia para conter a cheia das águas: os ecologistas ostentam uma grande imaginação para se fazer ver e ouvir na Conferência de Haia sobre a Mudança Climática.
Os delegados americanos, chamados de glutões de energia, não podem descansar nem nos banheiros, onde adesivos manuscritos pedem aos Estados Unidos, em nome das ‘‘gerações futuras’’, para não estragarem as negociações.
Militantes ecológicos entregaram à delegação americana um pastel gigante que representava a Terra, da qual se havia tirado uma minúscula porção que simbolizava a escassa riqueza dos países em vias de desenvolvimento.
‘‘É um inferno’’, disse o ecologista espanhol Carlos Pérez Aguirre, empapado de suor sob sua máscara de mergulhador enquando andava com pés de rã pelos corredores do centro de conferências, para lembrar o perigo do aumento do nível das águas provocado pelo aquecimento do planeta.
Uma estátua humana do Sol, que personificava a energia solar, e um japonês fantasiado de Terra fazia Hara-Kiri (suicídio) com um punhal de papelão.
Adolescentes entregaram aos negociadores cartões com seu nome para lembrar-lhes a importância da preservação do meio ambiente para as gerações futuras.
Uma organização ecológica entrega diariamente o título de ‘‘fóssil do dia’’ – em referência à energia fóssil – ao país que em sua opinião bloqueou mais as negociações. Desde o início da conferência, dia 13, Estados Unidos, Japão, Canadá e Arábia Saudita foram os mais condecorados. (F.P.)

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