Manifestantes são mortos em Berlim
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Reuters 
Três curdos foram mortos e outros 16 ficaram feridos por guardas de segurança israelenses quando tentavam entrar à força ontem no Consulado de Israel em Berlim. Testemunhas disseram que dezenas de manifestantes invadiram a área da missão diplomática e foram repelidos à bala, o que foi confirmado depois pelo próprio primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em uma entrevista à imprensa em Tel-Aviv. Nosso pessoal cumpriu as ordens de evitar - com o uso da força, se necessário - qualquer tentativa de tomar reféns e também a de defender-se, afirmou, enfatizando que isso incluía a abertura de fogo contra invasores. Depois do incidente, Israel decidiu fechar todas as suas representações diplomáticas na Europa.
As mortes foram as primeiras em uma onda de protestos que tomou toda a Europa desde terça-feira, depois que o líder curdo Abdullah Ocalan foi capturado no Quênia. Israel vem negando reportagens segundo as quais o Mossad (o serviço de inteligência israelense) teria ajudado a Turquia - um de seus poucos aliados do mundo islâmico - na captura do líder curdo. Ocalan se encontrava há doze dias na embaixada da Grécia em Nairóbi, tentando obter asilo no país mediterrâneo.
Terça-feira, ativistas curdos ocuparam durante mais de quinze horas o consulado grego em Berlim, como parte da série de protestos que os seguidores de Ocalan promoveram em sedes diplomáticas da Grécia e do Quênia em toda a Europa.
Depois do ocorrido ontem, a Alemanha intensificou a segurança nas ruas e o chanceler Gerhard Schoeder ameaçou os curdos com deportação caso eles não respeitem as leis. A Alemanha não vai tolerar violência política em suas ruas. Aqueles que vivem aqui e não respeitam a lei terão de deixar o país, disse o chanceler. A polícia de Berlim prendeu 120 curdos, alguns armados com barras de ferro e objetos pontiagudos.
Nós estávamos lá para dialogar com aquelas pessoas (os diplomatas israelenses), mas eles abriram fogo imediatamente, afirmou um manifestante que participou do incidente.
Cerca de 55 curdos tentaram entrar no Consulado (...) Eles (a segurança israelense) dispararam vários tiros, disse o porta-voz da polícia berlinense, Norbert Gunckel. Segundo ele, apenas dois policiais alemães estavam trabalhando do lado de fora do Consulado quando o protesto começou.
De acordo com Gunckel, dois curdos morreram no prédio consular e um outro, no hospital. Podemos esperar mais mortes, disse ele com relação aos feridos. Segundo a polícia, os curdos tomaram como refém um funcionário do Consulado por alguns minutos antes do início do tiroteio. O funcionário foi solto sem sofrer ferimentos.
A Alemanha é casa para 500.000 curdos e mais de 2 milhões de turcos. Segundo um porta-voz da Federação das Associações Curdas na Alemanha, os curdos vão continuar com seus protestos indefinidamente.
Em Bruxelas, Mizgin Sen, porta-voz do partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, por sua sigla em curdo), fundado por Ocalan, afirmou que a morte dos três curdos em Berlim era o resultado de uma guerra suja conduzida pelos aliados da Turquia e de Israel contra o seu povo.
Turquia e Israel, que são aliados regionais, assinaram um acordo de cooperação militar em 1996. Desde então, os dois países têm realizado exercícios e treinamentos militares.


