São Paulo - Manifestantes russos começaram a lotar as ruas de diversas cidades do país ontem em atos contra as fraudes eleitorais que deram a vitória ao partido do premiê Vladimir Putin - há 12 anos no poder - no último pleito parlamentar.
Embora a legislação russa permita reuniões de no máximo 30 mil pessoas e o governo tenha dado autorização para somente um protesto de cerca de 300 pessoas na praça Revolução, em frente ao Kremlin, a manhã de ontem mostrou que os manifestantes pretendem levar um número elevado de pessoas às ruas do país.
Ao menos mil protestam em Vladivostok, na costa do Pacífico, e em Khabarovsk, na fronteira com a China, a polícia prendeu 20 manifestantes. Segundo a emissora britânica BBC, milhares já saíram às ruas na capital, às margens do rio Moscou, e a agência Associated Press diz que mais de 70 cidades devem abrigar protestos.
Durante a semana, o partido do governo negou as fraudes e acusou os Estados Unidos de incitarem a agitação popular. Centenas foram presos pela polícia durante a repressão a protestos logo após o término das eleições.
Segundo os resultados publicados pelo ''Rossiiskaia Gazeta'', o partido do primeiro-ministro Vladimir Putin terá a maioria absoluta de 238 cadeiras, de um total de 450, na Duma (Câmara Baixa).
A missão de observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) anunciou ter constatado muitas irregularidades na votação. O site da ONG ''Observador Cidadão'' (nabludatel.org) afirma que os resultados reais dariam ao Rússia Unida quase 20 pontos a menos, com uma participação real de pouco mais de 50%.

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