Manifestantes retomam protestos em Mianmar
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de setembro de 2007
Das Agências 
São Paulo - Após um amanhecer de muitos soldados e poucos manifestantes nas ruas, Mianmar voltou a viver mais um dia de protestos ontem.
O enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Ibrahim Gambari, chegou sábado a Mianmar. Ele segue rumo à capital do país, Nay Pyi Daw. Gambari aguardava a autorização para entrar no país através da vizinha Tailândia, segundo informações da ONU.
Gambari é a maior esperança de alguns setores, como afirmou o ministro das Relações Exteriores de Cingapura, George Yong-Boon Yeo, para chegar a uma negociação com a junta militar que governa Mianmar desde o final da década de 80.
O país, localizado na Ásia meridional, vive uma onda de protestos iniciada em agosto, quando o governo aumentou o preço dos combustíveis. O movimento ganhou força e a adesão dos monges budistas, um setor importante no país.
No entanto, os militares decidiram usar força para coibir as manifestações. Após a invasão de dez monastérios na última quinta-feira, a presença dos monges budistas diminuiu consideravelmente nas manifestações pacíficas.
A comunidade internacional teme que os protestos possam levar à um massacre como ocorreu em 1988, quando a repressão do governo matou cerca de 3.000 pessoas para conter manifestações.
Segundo o governo mianmarense, dez pessoas morreram nas manifestações, mas o número pode ser maior, como anunciou sexta-feira o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brow.
Dois dias sem conexão de internet - A principal linha de conexão da internet continuou cortada ontem em Mianmar, indicaram usuários e responsáveis de sites da oposição à junta militar no poder.
O site de informação Mizzima News, com sede na Índia e administrado por dissidentes birmaneses, disseram que não conseguem receber nada pela internet desde sexta-feira.
''A internet continua cortada. É muito frustrante'', declarou ontem Sein Win, responsável editorial do Mizzima News, em entrevista à AFP. ''A internet não funciona mais desde ontem'', confirmou um morador de Yangun, acrescentando que os cybercafés da cidade continuam fechados. Os protestos e relatos chegaram ao mundo por redes de tevê e jornais, mas a internet representou um papel fundamental em sua disseminação.
Um responsável pelo site de informação Irrawaddy News, com sede na Tailândia, indicou igualmente que a conexão continua cortada com Mianmar. A principal linha de internet em Mianmar foi cortada sexta-feira. Um responsável das telecomunicações atribuiu o problema ''a um cabo danificado'', mas uma fonte ocidental de confiança em Yangun indicou que o corte foi ordenado pela junta militar para impedir a difusão, fora de Mianmar, de informações, fotos e vídeos sobre a repressão dos protestos populares no país.


