Londres - Cerca de 100 pessoas participaram de um protesto no final da tarde de ontem pedindo a investigação da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, baleado pela polícia inglesa na última sexta-feira na estação de metrô Stckwell, sul de Londres. A polícia teria confundido o brasileiro com um terrorista matando-o com oito tiros.
A manifestação começou por volta das 6 horas da tarde com a colocação de faixas, fotos, flores e velas em frente à estação de Stockwell, se estendendo com uma passeata até o prédio do Servico de Informação Secreta (MIS). O final do protesto foi tumultuado. Cerca de 50 policiais formaram uma barreira humana para impedir a continuação da passeata até o parlamento no centro de Londres.
Segundo a polícia metropolitana, a marcha não poderia continuar por estar atrapalhando o tráfego de veículos. ''Nosso objetivo foi atingido'', disse uma das organizadoras, a brasileira Tereza Sacchet, do Diálogo Brasil, que trabalha com a comunidade brasileira em Londres. ''Conseguimos prestar uma homenagem a Jean e chamar a atenção das autoridades'', disse.
Muitos ingleses e pessoas de outras nacionalidades participaram da manifestação, carregando faixas com dizeres ''Atirar para matar é terrorismo'', ''Bush e Blair fazem a guerra e nós é que morremos'', ''Justiça e Paz''.
O inglês Nicholas Alexandre, 26 anos, depositou flores em frente da estação. ''A atitude da polícia é inaceitável'', reclamou. O irlandês John Hearey, 27, disse que o brasileiro é mais uma vítima inocente da guerra de Bush e Blair. A chilena Isabel Cortez, 33, quer uma investigação independente sobre a morte de Jean. ''Esse crime não pode ficar assim''.
Um novo protesto está sendo organizado para a próxima sexta-feira. A morte de Jean está tendo grande repercussão na imprensa inglesa. No domingo, o primo de Jean, Alexandre de Menezes, disse que ele estaria legal. Ontem, representantes do governo disseram à imprensa, e depois desmentira, que o visto do brasileiro teria terminado em 2003 e que talvez por causa disso ele teria corrido ao ser abordado pelos policiais. A família, que não quis se pronunciar ontem, não acredita que ele tenha tentado fugir.

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