Manifestantes indígenas capturam policiais e jornalistas
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sexta-feira, 11 de outubro de 2019
Sylvia Colombo – Folhapress 
Quito - Grupos indígenas que protestam contra o governo no Equador capturaram sete policiais em Quito, nesta quinta (10). São seis homens e uma mulher. Há também jornalistas equatorianos presos, mas o número não foi confirmado. A imprensa havia entrado para cobrir a situação, e os indígenas liberaram apenas os estrangeiros.

Os agentes e os jornalistas eram mantidos na Casa da Cultura, onde os ativistas estão acampados. A informação inicial era de que havia oito policiais capturados. "Em nome do governo nacional, demandamos que qualquer diálogo se realize após a liberação deles e num clima de paz", pediu o secretário-geral da Presidência, José Augusto Briones.
A apreensão aconteceu após o local ser invadido pela polícia na madrugada. Os agentes desrespeitaram um acordo entre os manifestantes e o governo que estipulava a Casa da Cultura como uma zona de paz, ou seja, uma área de repouso dos ativistas.
Os policiais também entraram em outras zonas de paz - a Universidade Pública Salesiana e o acampamento no parque El Arbolito -, aumentando a repressão contra os indígenas no oitavo dia de manifestações em repúdio às medidas de austeridade determinadas pelo presidente Lenín Moreno.
As forças de segurança atiraram bombas de gás lacrimogêneo e agrediram manifestantes com golpes de bastão, em uma tentativa de dispersar os manifestantes. Pela manhã, havia restos de objetos queimados e de barreiras recém-derrubadas no parque El Arbolito.
O levante, o pior no Equador em anos, ocorre devido a um acordo assinado com o FMI (Fundo Monetário Internacional), que garantirá um empréstimo de US$ 4,2 bilhões (R$ 17,05 bilhões) ao país. Em contrapartida, o governo tem de adotar medidas como o corte de um subsídio a combustíveis em vigor há quatro décadas. A decisão gerou um aumento de até 123% nos preços da gasolina e do diesel e revoltou a população. Na terça (8), o presidente disse que não voltará atrás nem renunciará.
Nesta quinta, as lideranças indígenas negaram que tenham começado diálogos de paz com o governo - como o presidente Lenín Moreno havia informado no dia anterior.
Além disso, a principal organização indígena do país chamou seus membros a radicalizarem as manifestações. "Nada de diálogo com um governo assassino", disse a Conaie (Confederação de Nacionalidades Indígenas), em um comunicado assinado por seu presidente, Jaime Vargas.
Um indígena foi morto nas manifestações de quarta (9). É a quinta morte desde o início dos protestos. Ao menos 766 pessoas ficaram feridas. Já no centro da cidade, o movimento do comércio começou a ser retomado, após estar quase totalmente fechado na quarta, em função dos protestos e de saques em mercados de comida em Quito e em Guayaquil.


