Manifestantes homenageiam ex-ditador na Jordânia
São Paulo - Milhares de manifestantes prestaram homenagens a Saddam Hussein ontem na Jordânia, enquanto no Iraque prosseguem as investigações sobre os responsáveis pela filmagem clandestina da execução do ex-ditador que vem intensificando a tensão sectária no país.
Na maior manifestação pró-Saddam desde o enforcamento do ditador iraquiano, cerca de 2,5 mil pessoas fizeram um protesto na Jordânia em que criticaram o clérigo radical xiita Moqtada al Sadr, classificado pelos presentes como ignóbil. Vamos esmagar sua cabeça com nossas botas, gritavam os manifestantes.
No vídeo amador da execução, os guardas de segurança gritaram frases de ordem em defesa de Al Sadr em meio a provocações contra Saddam. Moqtada al Sadr é uma das figuras mais influentes no governo do xiita Al Maliki, que pressionou por uma rápida execução do ditador.
O protesto de ontem foi convocado por associações profissionais da Jordânia, onde vivem duas das filhas de Saddam. Tayseer al Homsi, secretário-geral do braço jordaniano do Partido Baath (o mesmo de Saddam no Iraque), condenou a execução em seu discurso para os manifestantes. O governo americano, que já assassinou o Iraque antes de assassinar seu presidente legítimo, pôs seus interesses na região em perigo. Vingar o Iraque e seu presidente, transformado em mártir, se tornou uma demanda árabe do Oceano Atlântico até o Golfo, afirmou Al Homsi.
Na Argélia, outras ações de apoio a Saddam foram realizadas. O governo argelino ordenou que em todas as mesquitas do país sejam realizadas preces pelo descanso da alma do ex-ditador iraquiano, executado no início da festividade de Eid al Adha (cerimônia do sacrifício), em que os fiéis matam um animal (camelo, vaca ou, geralmente, carneiro) e distribuem a carne aos pobres.
A Argélia, no entanto, não imitou a Líbia, que decretou três dias de luto e anulou as festividades de Eid al Adha, uma das datas mais sagradas para os muçulmanos, que ocorre ao término da peregrinação aos lugares santos do islã.
Os partidos políticos argelinos qualificaram de assassinato político o enforcamento de Saddam. Já o governo disse que Saddam era um prisioneiro político e que devia ter sido tratado como tal. (Folhapress)





