Cerca de mil pessoas participaram na segunda-feira de uma passeata pelas ruas da capital do Chile protestando contra a decisão da Justiça chilena em suspender o processo do ex-ditador Augusto Pinochet. Durante a manifestação, que terminou na Plaza de Armas, a polícia deteve 10 pessoas, revelaram as autoridades.
A maior parte dos manifestantes pertencia à Assembléia dos Direitos Humanos, aos grupos de Familiares de Presos Desaparecidos e de Familiares de Executados Políticos e ao Partido Comunista, observou a AFP.
Na Praça das Armas, centro da capital, foram registrados atos de violência quando um grupo se aproximou da Catedral Metropolitana, onde se realizava uma cerimônia em homenagem ao dia do juramento à bandeira, e apedrejou cinco ônibus vazios que haviam transportado delegações militares.
Longe da confusão, cerca de vinte pessoas se reuniram nas proximidades da mansão do general Pinochet comemorando a decisão judicial.
IrreversívelA demência tirou definitivamente da vida política o ex-ditador chileno Augusto Pinochet porque, apesar de a Justiça o ter eximido temporariamente, sua deterioração é irreversível e progressiva, na opinião dos médicos. O poderoso general que governou ditatorialmente o Chile durante 16 anos e meio, que comandou o Exército por um quarto de século, que se negou a renunciar à liderança militar em 1990 e transformou-se em senador vitalício por obra de sua Constituição, passa paulatinamente ao esquecimento.
‘‘Decisão põe fim à vida política de Pinochet’’, sentenciou o jornal ‘‘La Tercera’’ na manchete de sua edição de ontem.
Ainda ontem, a juíza argentina María Servini de Cubría, encarregada da investigação do assassinato em Buenos Aires do ex-comandante-chefe do Exército chileno Carlos Prats, solicitou à Justiça chilena interrogar pessoalmente o ex-ditador Augusto Pinochet, dois ex-membros da polícia política Dina e um ex-coronel.

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