Manifestantes contrários à legalização do aborto afirmam que projeto autoriza o homicídio
Manifestantes contrários à legalização do aborto afirmam que projeto autoriza o homicídio | Foto: Alberto Raggio/AFP



Buenos Aires – A votação no Senado da Argentina sobre a legalização do aborto, prevista para avançar durante a noite desta quarta-feira (8), foi precedida por manifestações contrárias e favoráveis à medida. Desde cedo e ao durante todo o dia, a praça em frente ao Congresso foi ocupada por protestos para tentar influenciar os senadores.

Da mesma forma que os 72 senadores, os manifestantes também estavam divididos. Os defensores da proposta usavam lenços verdes e os contrários, lenços azuis. Ao longo do dia, os parlamentares dedicaram-se às discussões sobre o projeto que determina a legalização da interrupção da gestação até 14 semanas de gravidez. Pela legislação atual da Argentina, o aborto é permitido apenas em casos de estupro ou ameaça de morte para a gestante.

A previsão era de que a votação ocorresse durante a noite ou nas primeiras horas desta quinta-feira (9). O projeto de lei foi aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 14 de junho, depois de 23 horas de debates e por uma diferença de apenas quatro votos - 129 votos favoráveis e 125 contrários.

As discussões que estavam marcadas para começar ao meio-dia foram antecipadas. "Os senadores fizeram isso para evitar a pressão das ruas", disse à Agência Brasil Andrea Zamparini, uma das coordenadoras da campanha pela legalização do aborto. "As mobilizações iam começar ao meio-dia e, depois das cinco da tarde, quando as pessoas começam a sair do trabalho, lotaríamos a praça."

Às vésperas da votação, dos 72 senadores, 38 posicionaram-se contrários ao projeto e 31, favoráveis. Os defensores da lei argumentam que o aborto continuará sendo praticado de forma clandestina, apesar de proibido, e que a legalização deve ocorrer como forma de salvar a vida das mulheres, que morrem ou têm problemas de saúde porque não tiveram acesso a um hospital.

Os contrários à proposta se opõem ao aborto porque afirmam que o feto é um ser humano e aprovar a descriminalização seria autorizar o homicídio. Esses grupos contam com o apoio da Igreja Católica e do Papa Francisco, que é argentino.

mockup