Um Padre Nosso, a prece de um rabino e um lamento em árabe pela paz no mundo foram entoados ontem por mais de 1.500 pessoas de mãos dadas no Saara, o bairro dos comerciantes do Rio de Janeiro onde as religiões e raças se misturam harmonicamente há décadas.
Os brasileiros que trabalham e vivem dentro deste labirinto de ruas coloridas no coração histórico da cidade, onde se aglomeram mais de 600 lanchonetes e restaurantes, lojas de especiarias, de brinquedos, fantasias e jóias, quiseram demonstrar que é possível a convivência em paz e o diálogo entre os povos.
''Pode-se conviver em harmonia, pode-se até competir em harmonia. O Saara é a prova disso e esta manifestação pela paz o confirma'', declarou o coordenador do ato, Rubem Cesar Fernandez, da ONG VivaRio.
As ruas do Saara amanheceram, ontem, adornadas com centenas de bolas de gás brancas, nas quais foi escrita a palavra PAZ. As janelas estavam cheias de cartazes que pediam o fim do terrorismo, a justiça global e o fim da fome.
Deputados, a vice-governadora Benedita da Silva, autoridades municipais e crianças de diversos colégios se misturaram com os sacerdotes, com os judeus e os árabes que participavam desta manifestação nas ruas da Alfândega, Passos e Uruguaiana, locais cariocas que datam do século XVIII.
Depois de três minutos de silêncio pelas vítimas da violência no mundo, principalmente os milhares de mortos nos atentados de Nova York e Washington de 11 de setembro passado, os comerciantes distribuíram pão árabe e judeu, em símbolo de comunhão.
A rádio Saara, da comunicade local, transmitiu durante toda a manhã as preces do rabino Nilton Bonder, de Abdelbaji Sidahmed Osman, presidente da sociedade muçulmana e as rezas de um sacerdote católico.
Os comerciantes durante alguns minutos deixaram em silêncio suas lojas.

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