Cerca de cem mil judeus reuniram-se ontem diante das muralhas da Cidade Velha de Jerusalém para protestar contra a intenção do governo de ceder a soberania do Monte do Templo (Haram al-Sharif, para os muçulmanos) aos palestinos. No Líbano e na Faixa de Gaza, refugiados palestinos manifestaram-se pelo direito de retorno a suas terras em Israel. ‘‘Jerusalém foi o centro de nossos sonhos, de nossas orações e de nossa luta. É o coração de nosso povo e não podemos entregar nosso coração’’, disse o deputado israelense Natan Sharanski em discurso aos manifestantes na Cidade Velha.
Em Washington, dirigentes palestinos anunciaram ontem sua recusa a aceitar o plano de paz do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, como uma declaração de princípios que serviria de ponto de partida para a retomada das negociações de paz com Israel.
O negociador da Autoridade Palestina (AP) Ahmed Korei afirmou que Clinton não levou em consideração as objeções apresentadas pelo presidente da AP, Yasser Arafat. ‘‘Essas idéias não oferecem a nosso povo seus direitos legítimos.’’
Os palestinos qualificaram o plano de ‘‘cópia’’ do projeto dos israelenses na fracassada cúpula de Camp David (Estados Unidos), em julho de 2000.
Outro revés para o processo de paz ontem foi o fracasso da reunião entre líderes da área de segurança da AP e o chefe da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, por sua sigla em inglês), George Tenet. A meta era a buscar a retomada da cooperação entre palestinos e israelenses, mas a AP impôs como condição o levantamento do bloqueio às cidades e vilarejos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, o que Israel rejeitou.

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