Santiago - Uma enorme manifestação em homenagem às vítimas da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) percorreu neste domingo as ruas de Santiago, no Chile, pedindo o fechamento de uma prisão especial que abriga ex-militares condenados, e terminou com violentos confrontos com a polícia.
Em um acontecimento inédito - que pela primeira vez passou pelo Palácio de La Moneda, sede do governo que em 1973 foi bombardeada com o objetivo de derrubar o governo do socialista Salvador Allende - a marcha terminou em um cemitério que abriga um memorial dos presos desaparecidos e dos mortos pelo regime ditatorial.
"A ferida segue aberta porque a verdade não está contada e não foi feita justiça" após 42 anos do golpe, disse à AFP Tania Núñez, de 53 anos, que participou da manifestação carregando uma foto de um dos mais de 3.200 assassinados pela ditadura.
Ao longo do caminho o descontentamento contra a prisão Punta Peuco - localizada a 50 km de Santiago e que abriga uma centena de ex-membros das Forças Armadas condenados por torturas, sequestros e mortes - foi sentido através dos cantos, cartazes e comentários entre os participantes.
O governo da socialista Michelle Bachelet - que atravessa seu nível mais baixo de aprovação com 22% - reiterou no sábado que está avaliando um possível fechamento desta prisão, embora tenha negado que existam privilégios neste centro de reclusão.
Diante do imenso memorial com milhares de nomes daqueles que perderam a vida pela repressão militar, os familiares das vítimas depositaram cravos. A poucos metros dali foram registrados violentos confrontos que terminaram com a polícia lançando água e gases nos manifestantes.

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