Roland de Courson
France Presse
de Madri
Mais de um milhão de madrilenos disseram, ontem, ‘‘basta’’ ao terrorismo com uma comovente marcha no centro da capital, convocada por organizações políticas e sindicais.
A população acudiu em massa para protestar contra a ETA, que na sexta-feira matou um tenente-coronel do exército, primeira vítima mortal da organização independentista basca desde o fim da trégua observada por 14 meses.
A manifestação seria silenciosa. Mas na Porta do Sol, em pleno coração de Madri, os participantes não puderam conter sua revolta: ‘‘Assassinos! assassinos!’’ gritaram milhares de espanhóis para a ETA.
O presidente do governo espanhol, José María Aznar, o líder da oposição socialista, Joaquín Almunia, ex-chefes de governo e líderes sindicais encabeçaram esta manifestação.
O chefe do governo e as outras personalidades abriram a passeata com uma faixa gigante dizendo: ‘‘Por la paz y la libertad. No al terrorismo’’.
As personalidades políticas foram seguidas por uma maré ininterrupta de manifestantes que percorreram os 2,5 km entre a praça de Colón e a Porta do Sol.
O delegado do governo em Madri, Pedro Nuñez Morgades, afirmou que pelo menos 1,1 milhão de pessoas, quase um terço da população da cidade, participaram da marcha.
A passeata não registrou nenhum incidente grave com exceção de uma briga entre manifestantes e um grupo de jovens militantes de extrema-direita, que pediam o restabelecimento da pena de morte.
No fim da manifestação, o ator basco Imanol Arias leu um comunicado em que exigiu ‘‘firmeza e unidade a todos os partidos democratas’’ contra o terrorismo.
A vítima 770 foi o tenente-coronel Pedro Antonio Blanco García, assassinado em Madri com um carro-bomba, que a ETA fez explodir em sua passagem.
Luta longaO chefe de governo espanhol, José María Aznar, declarou, ontem, que a luta contra o terrorismo ‘‘será longa’’ e que a ETA continuará fazendo a sociedade espanhola sofrer.
Em declarações à imprensa um pouco antes de participar de manifestação contra o terrorismo, em Madri, na qual participaram cerca de um milhão de pessoas, o chefe do Executivo afirmou: ‘‘A luta contra o terrorismo é a luta de todos nós, será longa, dura e difícil’’.
‘‘Eles nos farão sofrer’’, disse Aznar, referindo-se à organização separatista basca.

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