Bagdá Milhares de iraquianos sunitas se manifestaram durante as orações da ontem em Bagdá, contra o Conselho de governo transitório formado com o aval dos Estados Unidos e contra a ocupação do país, de acordo com um correspondente da AFP na capital do Iraque.
Os manifestantes, reunidos em volta da Mesquita de Um al-Kura a pedido da escola de ulemás (autoridades em matéria de lei e religião) sunitas do Iraque, levavam cartazes que diziam: ''O Conselho Transitório é nomeado pela ditadura'' ou ''O dia 9 de abril (data da queda de Bagdá) representa a escravidão e não a libertação''.
''Digamos não à divisão entre sunitas e xiitas'' ou ''Vergonha para todos que considerarem a queda de Bagdá como data nacional'', estava escrito em outras bandeiras levantadas durante a manifestação.
As tropas norte-americanas entraram na capital iraquiana no dia 9 de abril após três meses de guerra para retirar do poder o regime de Saddam Hussein. O Conselho de Governo Transitório, instalado a 13 de julho, declarou a data feriado nacional.
Os manifestantes gritavam ''Paciência Bagdá, o exército dos infiéis será eliminado'' e ''Rebele-se Bagdá: que (Paul) administrador americano - tenha a mesma sorte de Nuri Said (Primeiro-ministro iraquiano assassinado durante golpe de Estado em 1958)''.
Um professor de ciências islâmicas da Universidade de Bagdá, Thaer al-Chammari, que se encontrava entre os manifestantes, ressaltou que o objetivo do protesto era rejeitar o Conselho de Governo Transitório.
Um líder sunita leu um comunicado afirmando que ''o colégio de ulemás sunitas do Iraque acredita que o Conselho transitório divide o povo do Iraque sobre bases confessionais''. ''A decisão de considerar o dia da ocupação como festa nacional é algo horrível'', frisou o comunicado.
Na Mesquita de Um al-Kura, o imã sunita Hari al-Dhari, clamou a ''resistência'' contra as tropas americanas.

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