Ciudad del Este, Paraguai - Um protesto que reuniu manifestantes brasileiros e paraguaios no meio da Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este, bloqueou o tráfego de veículos na fronteira entre os dois países por cerca de 80 minutos no final da manhã e no início da tarde de ontem.
A manifestação defendeu a recondução ao poder do presidente afastado do Paraguai Fernando Lugo, que deixou o cargo no último dia 22. As passeatas foram acompanhadas pelas forças de segurança dos dois países que, após negociação com os líderes dos dois grupos, permitiu um encontro pacífico, com direito a discursos, bandeiras, faixas e cartazes.
O fechamento da ponte provocou um congestionamento de três quilômetros do lado brasileiro, logo dissipado com a liberação do tráfego, ocorrido às 12h40. Do contingente que tomou a ponte, 80% era composto por paraguaios. Em Ciudad del Este, a polícia ocupou o centro comercial e acompanhou a marcha de cerca de um quilômetro.
O grupo pró-Lugo, composto de grupos de sem-terra, sem-teto, sindicalistas e universitários, tomou a Avenida Monsenhor Rodrigues, por volta das 10 horas (9 horas no fuso paraguaio). A passeata prosseguiu pela Ruta 7 e chegou ao chamado microcentro, onde se concentram as lojas destinadas aos turistas e sacoleiros, por volta das 11h15, quando a passeata foi interrompida por uma barreira de policiais, reforçada pelo temido GEO (um caminhão-tanque usado para dispersar manifestações de rua chegou a ficar a postos).
Os líderes das 23 organizações negociaram a extensão do ato até o meio da ponte. O chefe da Polícia Nacional do departamento de Alto Paraná, Antonio Ruiz, após se certificar que as autoridades brasileiras haviam liberado a passagem do grupo de manifestantes em Foz do Iguaçu, autorizou a marcha pacífica, o que causou grande euforia dos participantes.
Enquanto isso, do lado brasileiro, cerca de 500 pessoas já se preparavam para engrossar o protesto paraguaio. Muitos jovens do movimento estudantil - mobilizados pela greve em curso na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) - demonstraram o apoio à causa dos vizinhos pintando o rosto de vermelho e azul, alusão as cores da bandeira paraguaia. Além dos estudantes, grupos de sem terra vindos de várias regiões do Paraná se juntaram ao protesto. Sindicalistas com bandeira da Central Única dos Trabalhadores também participaram do ato.
O encontro dos dois grupos sobre o Rio Paraná, chamado de ''histórico'' nos discursos, ocorreu por volta das 11h40. Houve grande comemoração, com cumprimentos e abraços. Manifestantes trocaram as bandeiras nacionais. Os gritos mais ouvidos foram de ''Viva a Latinoamérica'' e ''Ditadura Nunca Mais''. No megafone, um manifestante cantava uma letra improvisada: ''No soy gobierno, no soy golpista'', uma crítica ao novo presidente do país, Federico Franco, empossado no mesmo dia do impeachment de Lugo.
A manifestação se prolongou e irritou um grupo de mototaxistas de Foz do Iguaçu que ganha a vida transportando sacoleiros para Ciudad del Este. Muitos caminhoneiros também mostraram descontentamento dos dois lados. Um deles, que seguiu uma ambulância e ficou retido na ponte, tentava entender o que acontecia. ''Não sei nem o que está acontecendo. Só quero entregar estar mercadoria'', disse o motorista Diego Fernandez, de 43 anos, que transportava telhas de Foz para o outro lado da fronteira.
O guia de turismo autônomo, Vanderlei Antunes, de 33 anos, sem ter como trabalhar, também lamentou a situação no país vizinho. ''Todo mundo perde. Dos lados da ponte'', disse.

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