Manifestação anti-reforma leva caos a Caracas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de novembro de 2007
Fabiano Maisonnave<br>Folhapress 
Caracas, Venezuela- Uma grande manifestação oposicionista convocada por grêmios de estudantes universitários exigiu ontem que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) adie a realização do referendo sobre a reforma constitucional, agendado preliminarmente para o dia 2 de dezembro. Como já havia ocorrido na semana passada, houve enfrentamentos com a polícia pelo centro de Caracas.
A marcha de estudantes, acompanhada pela reportagem, reuniu vários milhares de manifestantes, aparentemente em número maior do que a da semana passada. Cerca de metade dos manifestantes não era de universitários, como um grupo do partido oposicionista Primeiro Justiça.
Ao contrário da semana passada, quando a Polícia Metropolitana -controlada pelo chavismo- permitiu a aproximação de estudantes e simpatizantes do governo, desta vez o forte esquema de segurança manteve os grupos afastados.
Os chavistas, cerca de 50, ficaram na entrada do CNE; o ato estudantil a uma quadra de distância. Entre eles, havia centenas de policiais e homens da Guarda Nacional (GN) e duas tanquetas militares.
Houve duas confusões à tarde, ambas iniciadas pelos estudantes. Dentro do CNE, alguns integrantes da comitiva que entregou o documento tentaram se acorrentar nas escadarias do edifício após a reunião, mas foram impedidos pela GN.
Do lado de fora, um grupo de estudantes começou a atacar o bloqueio, levantando grades para lançá-las contra os policiais, que reagiram com gás lacrimogêneo e jatos de água.
O confronto rapidamente se espalhou pelo centro de Caracas. Estações de metrô e lojas foram fechadas em meio a muita correria e à chegada a pé de grupos de militantes chavistas. Imagens de TV mostraram pelo menos um estudante ferido na boca -disse ter perdido dois dentes por golpes policiais.
O reitor (juiz) do CNE Vicente Diáz classificou a atuação dos estudantes como ''inadequada'' ao tentar se prender nas escadarias, mas disse que houve excessos da segurança.
''Quero expressar meu repúdio à repressão, à agressão e buscarei a forma para investigar isso. A marcha chegou onde deveria chegar. Aqui, houve vários equívocos'', disse Diáz, o único dos cinco reitores do órgão eleitoral que tem feito críticas públicas a Chávez.
Para o vice-ministro para a Segurança Cidadã, Tarek El Aisammi, os confrontos de ontem são parte de um ''circo''. ''Isso foi parte de um ato midiático, mas saibam Globovisíon (canal de TV) e todos, ninguém vai terminar com a tranquilidade em que vive nosso país.''


