As eleições gerais da África do Sul - as segundas democráticas desde o fim do apartheid - serão realizadas entre os dias 18 e 27 de maio, anunciou ontem na Cidade do Cabo o presidente Nelson Mandela em seu último discurso sobre o estado da Nação. Mandela, de 80 anos, afirmou também que pretende retirar-se da política após o pleito.
Líderes de oposição consideraram o discurso com sendo fraco e cheio de omissões. ‘‘Foi uma verdadeira defesa das inabilidades do governo. Ele (Mandela) basicamente admitiu seu fracasso no combate ao crime, na criação de empregos e na educação’’, disse o líder do Novo Partido Nacional (NNP, por sua sigla em inglês), Marthinus van Schalkwyk.
Segundo um outro político da oposição, o líder do Partido Democrata, Tony Leon, Mandela omitiu os verdadeiros ‘‘feitos’’ de seu governo. ‘‘Desde que eles assumiram o poder, 500 mil empregos foram eliminados e apenas no último ano 20 mil sul-africanos foram assassinados’’, afirmou.
Em seus 90 minutos de discurso para um Parlamento lotado, Mandela destacou as realizações de seu governo desde que assumiu o poder em 1994 em meio a uma grande euforia nacional, mas lembrou que muito ainda deverá ser realizado para apagar a herança do apartheid. ‘‘A grande jornada ainda não terminou’’, disse Mandela. ‘‘O prêmio por uma vida melhor ainda tem de ser vencido’’.
Do lado positivo de seu mandato, Mandela destacou o sucesso em levar água encanada, eletricidade e telefones para milhões de pessoas que não contavam com esses serviços durante o apartheid.
Ao mesmo tempo, o líder sul-africano reconheceu o fracasso de não ter cumprido com a promessa de construir um milhão de novas casas populares e a incapacidade em lidar com o crime a corrupção.
Segundo analistas políticos, o presidente anunciou sua retirada da política depois das eleições porque o seu Congresso Nacional Africano deverá vencer o pleito com certa facilidade. O candidato de Mandela, o vice-presidente Thabo Mbeki, é apontado como candidato do partido.

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