Washington – O presidente americano Donald Trump criticou o curso dos exercícios militares realizados por EUA e Coreia do Sul na Península Coreana. "Em primeiro lugar, é tremendamente caro. E segundo, é uma situação muito provocadora", reconheceu. "Diante das circunstâncias de que estamos negociando um acordo bastante abrangente, [abandonar os exercícios militares] é algo que eles [Coreia do Norte] apreciaram bastante."

O norte-coreano Kim Jong-un afirmou que irá repatriar os restos mortais de soldados desaparecidos ou feitos prisioneiros durante a Guerra da Coreia. Ao ser perguntado se havia interpelado o ditador, que sufoca a oposição ao regime e detém centenas de presos políticos em campos forçados, Trump disse que falou, sim, do assunto - mas de forma "muito breve" em comparação ao tema das armas nucleares, principal foco do encontro.

Trump lembrou do estudante americano Otto Warmbier, que morreu aos 22 anos dias após retornar aos EUA vindo da Coreia do Norte, onde ficou preso depois de ser condenado a 15 anos de prisão por tentar roubar um item com slogan de propaganda do seu hotel. "Sem Otto, isso não teria acontecido", disse Trump. "Algo aconteceu a partir daquele dia. Foi uma coisa terrível, foi brutal, mas muitas pessoas começaram a se concentrar no que estava acontecendo, incluindo a Coreia do Norte", acrescentou. "Eu realmente acho que Otto é alguém que não morreu em vão."

Em um clima amistoso com a imprensa, Trump não quis responder, porém, a um jornalista que o questionou, de forma incisiva, se o encontro dava legitimidade a um regime ditatorial que oprime e retira direitos da população. "Eu acabei de responder", desconversou o americano.

Essa é uma das grandes preocupações de analistas sobre o encontro: que ele dê legitimidade, além de servir de propaganda, ao regime ditatorial do norte-coreano. O icônico aperto de mão de Trump e Kim foi firmado em frente às bandeiras enfileiradas dos dois países.(E.H.C.)

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