As Forças Armadas argentinas, que no dia 2 de abril de 1982 embarcaram na aventura histórica de recuperar, pelas armas, as ilhas Malvinas, reivindicadas por mais de 160 anos, e perderam a guerra de 74 dias para a Grã-Bretanha, encontram-se hoje com 50 por cento a menos de efetivos e um orçamento cinco vezes menor.
Esses militares, que perderam todo o poder político - ao qual estavam acostumados historicamente -, tiveram de adaptar sua estrutura interna a uma realidade que restringiu suas tarefas à atividade específica de resguardar as fronteiras do país ante ameaças externas, comentaram esta semana analistas locais.
Em termos quantitativos, esta situação implicou que o Exército, que em 1982 contava com 94.500 efetivos, agora tenha 41.300 soldados, que a Armada (Marinha), que há quinze anos reunia 31 mil marinheiros, atualmente só disponha de 19.500 e que a Força Aérea, em igual período, tenha reduzido seu número de aviadores de 22.700 para 13.500, precisou a agência privada de notícias DyN.
Depois de seis anos de governo de fato (1976/1982), a Junta Militar - integrada pelo tenente-general Leopoldo Fortunato Galtieri, o brigadeiro-general Basilio Lami Dozo e o almirante Jorge Isaac Anaya - decidiu um desembarque nas ilhas que, embora então tenha recebido uma grande adesão popular, mostrou quase de imediato que era um plano condenado ao fracasso.
O sonho militar do general Galtieri de restituir a presença argentina nas ilhas implicou a mobilização de 10.362 efetivos do Exército, 11.000 da Armada e 920 mil da Força Aérea, incluindo os jovens que estavam prestando o serviço militar ou que já o haviam concluído.
As consequências foram, segundo a informação oficial, as perdas de 194 vidas no Exército, 394 na Armada e 55 na Força Aérea.
Como 85 por cento do orçamento anual das Forças Armadas está destinado ao pagamento de salários, aposentadorias e pensões, resta pouco para a parte econômica destinada aos reparos e reequipamento.
Outra das modificações concretizadas desde a guerra foi a eliminação do serviço militar obrigatório. A participação dos recrutas naqueles combates não foi quantificada pelas Forças Armadas, pois então eram considerados pessoal efetivo.
Entretanto, sua incidência direta nas tropas enviadas para a zona de combate era de 100 mil jovens, não profissionais.
Em 1996, com o regime de serviço militar opcional, o Exército recrutou 17 mil soldados, sobre 24.500 inscritos, a Armada incorporou 2.270 marinheiros sobre 4.000 inscritos e a Força Aérea registrou 300 aviadores sobre 1.500 pretendentes.
A conjuntura atual, tanto em termos de estratégia regional como de capacidade operacional (desvantajosa para a Argentina), torna inconveniente qualquer confronto. Ao contrário, as principais linhas de trabalho dos militares argentino apontam hoje para a integração com os países limítrofes e para a incorporação na luta contra o narcotráfico.

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