France PresseTempo esgotadoOlhando o relógio, durante um encontro em Londres, John Major passa a idéia de quem pensa que seu tempo acabouLONDRES - Seus partidários o chamam de ‘‘o honesto John’’. Entre seus detratores, ele é conhecido como ‘‘o homem cinzento’’. John Major, a quem todas as pesquisas dão como perdedor nas eleições de amanhã, deixará a lembrança de um Primeiro-Ministro de transição na galeria de retratos dos ex-inquilinos do número 10 da Downing Street.
A campanha eleitoral, um pesadelo para os conservadores, vítimas do desgaste de 18 anos de poder, terá sido o fiel reflexo do mandato - seis anos, cinco meses e quatro dias - de Major, um conservador típico: sorriso permanente, convicções firmes e tempo investido em buscar pactos e acordos para assegurar a sobrevivência política.
Prisioneiro de uma maioria cada vez mais apertada e de uma tendência constante ao consenso, refém dos eurocéticos de seu próprio partido, que questionam sua autoridade, a John Major faltava apenas um exército de jovens ambiciosos com pressa para substituí-lo, com o que já conta para compor o cenário desvantajoso em que se encontra.
John Major passará por esta última prova defendendo, até não mais poder, o balanço de seu mandato.
Os britânicos, para quem John Major é o Primeiro-Ministro mais impopular desde o fim da Segunda Guerra Mundial, não lhe agradecem pelos incontestáveis êxitos econômicos de seu mandato e por pelo menos duas conquistas políticas: a quarta e inesperada vitória dos conservadores nas eleições de 1992 e o acordo de cessar-fogo na Irlanda do Norte em 1994, que falta ser confirmado.
Seus ingratos amigos o culpam pela má situação em que os tories se encontram, sem reconhecer que tiveram nele seu grande trunfo.
Filho de uma cantora e de um trapezista que chegou ao mundo do espetáculo após a falência de seu pequeno comércio de decoração de jardins, John Major abandonou os estudos aos 16 anos, conheceu a falta de trabalho e exerceu uma infinidade de pequenos empregos. Contratado por uma agência bancária para um cargo de hierarquia secundária, chegou a diretor por seu próprio esforço, estudando à noite.
A sobriedade de seu estilo aproxima-se do laconismo. Com cabelos grisalhos bem penteados e óculos de aros grossos e grandes, inaugurou seu primeiro conselho de ministros exclamando: ‘‘Quem diria que um dia eu estaria aqui!’.
Hoje, aos 54 anos, John Major pode sair de cena com o mesmo sonho com que entrou: ‘‘Dar a todos as mesmas possibilidades’’.

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