Major pode apresentar sua renúncia ainda hoje
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quinta-feira, 01 de maio de 1997
France Presse 
LONDRES - Os dias que se seguirão à eleição de ontem na Câmara dos Comuns britânica terão uma agenda muito carregada, que culminará com o discurso da Rainha para apresentar o projeto legislativo do novo governo, previsto para o dia 14.
Segundo a tradição, em caso de vitória da oposição, o primeiro-ministro atual apresenta sua demissão a Elizabeth II um dia depois das eleições, ou seja, hoje.
Depois dele, o dirigente do partido que tiver maioria de cadeiras nos Comuns, neste caso seguramente Tony Blair vai ao Palácio de Buckingham para beijar as mãos da Rainha, encontro durante o qual ela lhe pede para formar governo. Os principais ministros podem ser designados no mesmo dia.
Salvo em caso de Parlamento sem maioria, a Rainha não tem nenhum poder e deve nomear primeiro-ministro o chefe do partido que tiver a maioria nos Comuns.
Seguindo a tradição, se Major for vencido, abandonará a residência de 10 Downing Street hoje mesmo. Norma Major, sua esposa, pediu que em caso de derrota eleitoral, fosse permitido à família sair com dignidade, já que considera vergonhosa a maneira como muitos primeiros-ministros tiveram de deixar a residência oficial, sem sequer ter tempo de embalar seus pertences.
No Parlamento, os novos deputados elegerão seu presidente no dia 7. O mais possível é que o cargo fique com a trabalhista Betty Boothroyd, que o ocupava já na legislatura anterior.
A tradição manda que os speakers deixem o cargo somente quando o desejarem e, para facilitar a reeleição desta enérgica mulher de 67 anos, nenhum partido apresentou candidato. Considera-se que o presidente da Câmara deve esquecer sua filiação política para tornar-se imparcial.
Após essa eleição, os novos deputados prestam juramento à Coroa, procedimento que começará no dia 7 ou 8 e pode durar até o dia 12.
Nos Comuns, espera-se que a Rainha pronuncie no dia 14 seu Discurso do trono, no qual apresenta o programa legislativo do governo, escrito pelo primeiro-ministro e que a soberana, como encarnação do Estado, limita-se a ler. Em cumprimento ao rigoroso potocolo, a Rainha usa manto, coroa e cetro, para falar ante as duas casas do Parlamento reunidas.


