Mais uma vez, audiência de Saddam é adiada
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de fevereiro de 2006
Folhapress 
São Paulo - A 13ªaudiência do julgamento do ex-ditador Saddam Hussein e de sete de seus colaboradores voltou a ser adiada ontem e deve ser retomada hoje, anunciou o juiz que preside o processo, Raouf Abdel Rahman. A sessão teve início às 13h45 (7h45 de Brasília) e, após um boicote de um mês, contou com a presença da equipe de defesa, que decidiu atender à audiência mesmo sem ter suas exigências atendidas pela corte.
A audiência começou de maneira organizada diferentemente das tumultuadas sessões ocorridas desde o início do julgamento, em 19 de outubro passado. Saddam e seus sete colaboradores entraram na corte e se sentaram em seus lugares em silêncio.
Em audiências anteriores, tanto Saddam quanto seu meio-irmão Barzan Ibrahim entraram na sala de audiência gritando slogans e discutindo com o juiz Rahman. Ele abriu a sessão anunciando que o júri havia rejeitado o pedido da defesa de que o juiz e o promotor-chefe fossem afastados do julgamento.
O advogado-chefe da equipe de defesa de Saddam, Khaled al Dulaimi, disse que iria apelar da decisão e pediu que a sessão fosse imediatamente suspensa pedido que foi rejeitado por Abdel Rahman. Em seguida, Al Dulaimi e seu colega Khamis al Obeidi deixaram a corte para preparar uma apelação, mas os seis membros restantes da equipe permaneceram na corte.
O promotor-chefe, Jaafar al Moussawi, apresentou então à corte uma série de relatórios dos serviços de inteligência que fornecem detalhes a respeito das prisões e do massacre realizado na cidade xiita de Dujail em 1982, após uma suposta tentativa de assassinato de Saddam. Os documentos apresentavam assinaturas que, segundo Al Moussawi, seriam de Saddam e de Ibrahim.
Saddam e seus sete colaboradores são acusados de tortura, prisões ilegais e pelo massacre de cerca de 150 pessoas em Dujail. Eles podem ser condenados à pena de morte se forem considerados culpados pelo júri.


