Mais um triste Natal na cidade onde nasceu Jesus
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2002
Guillaume Bonnet<br> France Presse 
Belém - Sem dinheiro, cansados de um toque de recolher que se eterniza, os cristãos de Belém, na Cisjordânia, preparam-se sem entusiasmo para festejar o Natal na cidade onde, segundo a tradição, nasceu Jesus Cristo.
Em torno da praça do Presépio, em frente à basílica da Natividade, as lojas de decoração e presentes natalinos fecharam suas portas.
O levantamento do toque de recolher uma vez em quatro ou cinco dias e por apenas algumas horas não é suficiente para atrair os clientes.
''Para que abrir?'', pergunta Salem Gacamán, dono da lojinha ''Il Bambino''. ''Não há mais turistas'', explica.
No dia 22 de novembro, em resposta a um atentado suicida em Jerusalém, o exército reocupou Belém, condenando a população a ficar confinada nessa zona autônoma palestina de 150 mil habitantes.
Na véspera, os habitantes aproveitaram o levantamento do toque de recolher entre 8 e 16 horas, e Belém quase recuperou seu aspecto normal: buzinas barulhentas de veículos, engarrafamentos, longas filas nos bancos, mercado agitado.
Entretanto, as pessoas passeiam mais do que compram. ''Não se faz negócio porque as pessoas não têm dinheiro. Primeiro, compram para comer, o resto vem depois'', diz George Jacaman, joalheiro, que mostra suas vitrines vazias.
Peter Shamie conta que seu negócio de fotografia também sofre. ''Os únicos pedidos que recebo são para fazer fotos para documentos de identidade''.
Nas casas de brinquedos do centro, os produtos ''Made in China'' se enchem de pó nas prateleiras.
No centro da praça do Presépio, são dados os últimos retoques a uma árvore de Natal. ''Fazemos isso por tradição, mas sem qualquer entusiasmo'', diz Nidal, lembrando ''como se fosse em um sonho remoto mais de um milhão de turistas que chegaram a Belém para festejar a entrada do ano 2000''.
Na agência de turismo, Miriam diz que ''este ano a incerteza é tanta que desistimos inclusive de imprimir um programa de festejos''.
''Esperamos as ordens do exército israelense para saber se podemos fazer os preparativos na basílica'' para a Missa de Natal, assinala um padre. Pelo segundo ano consecutivo, Israel quer impedir que o dirigente palestino Yasser Arafat assista à missa.
A religiosa Maria do Céu admite que embora este Natal seja triste, ''nós estamos aqui para lembrar às pessoas que Jesus nasceu na pobreza e que também foi perseguido''.


