O anúncio do novo pacote econômico da Argentina, feito anteontem à noite, provocou uma onda de renúncias entre ministros e altos funcionários do governo. Renunciaram de imediato os ministros do Interior, Federico Storani; da Educação, Hugo Juri (ambos do partido radical de De la Rúa); e do Desenvolvimento Social, Marcos Makón (Frente País Solidário - Frepaso). Também já tinham anunciado suas renúncias, até ontem de manhã, a vice-chefe de Gabinete, Graciela Meijide; a vice-ministra do Interior, Nilda Garré; e o secretário-geral da Presidência, Ricardo Mitre.
A rigidez do pacote econômico e a crise política desatada no governo de coalizão por causa dos importantes cortes de gastos na área social e na educação foram os destaques nas primeiras páginas de todos os jornais argentinos ontem. O ‘‘Clarín’’ enfatizou que ‘‘a Frepaso deixou o governo, mas a Aliança não foi rompida’’ pelo pacote que ‘‘se centra na educação e acontece em uma complexa situação política’’.
O jornal diz que agora, (o presidente) ‘‘De la Rúa tem de buscar novos aliados’’ faltando oito meses para as eleições. O pacote de medidas, anunciado pelo liberal-ortodoxo ministro da Economia Ricardo López Murphy, prevê economias no gasto público da ordem de 2 bilhões de dólares para este ano, US$ 2,4 bilhões em 2002 e outros ajustes que alcançarão os US$ 3,5 bilhões anuais a partir de 2003. Será mantida a convertibilidade da moeda imposta por lei desde 1991.
O jornal ‘‘La Nación’’ deu a manchete de que ‘‘Periga a Aliança’’ de Governo com a Frepaso (dissidentes peronistas e socialistas) devido à ‘‘forte polêmica pelo pacote econômico’’, cujas medidas têm um ‘‘realismo que talvez chegue tarde’’.
O drástico controle das contas – quarta tentativa de ordenamento em um ano e meio de gestão – disposta pela administração do social-democrata Fernando De la Rúa visa evitar o risco de um cessar de pagamentos, assim como escapar de uma recessão asfixiante de quase 40 meses. Ontem de manhã o ministro Ricardo López Murphy afirmou que o mercado vai reagir de forma positiva ao plano de ajuste de gastos, assim que surgirem apoios explícitos às medidas.
Do Brasil, o ministro da Fazenda Pedro Malan conversou com Ricardo López Murphy, logo depois da divulgação do pacote pela TV argentina. Na conversa, Murphy reiterou o firme propósito do governo argentino de continuar avançando no processo de integração regional.
Malan também leu na Internet, junto com seus assessores, a íntegra do discurso de Murphy. Em seguida, o ministro brasileiro divulgou uma nota oficial afirmando que o discurso de Murphy ‘‘é coerente, consistente, com uma visão ampla dos problemas com que se defronta a Argentina’’.

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