Milhares de desempregados realizaram ontem mais de 50 piquetes nas principais estradas da Argentina. Os piquetes foram organizados em protesto contra o pacote de ajuste fiscal do governo do presidente Fernando De la Rúa e os elevados índices de desemprego. Os protestos simultâneos de ontem, que duraram 24 horas, não possuem precedentes na história do país.
Os ‘‘piqueteiros’’, como são conhecidos os desempregados que realizam esta modalidade de protestos, tiveram como parceiros os funcionários públicos, que também protestaram contra o ajuste. O pacote fiscal reduzirá em 13% os salários dos funcionários públicos.
Os principais piquetes estiveram concentrados na região da Grande Buenos Aires, onde se registram os maiores índices de desemprego de todo o país. Houve piquetes dentro da própria capital argentina, tanto na área da Casa Rosada, a sede do governo, como na frente do Congresso Nacional.
Os piquetes causaram congestionamentos no trânsito de Buenos Aires. Os principais no interior do país ocorreram na província de Buenos Aires, Chaco, Corrientes, Entre Ríos, Salta e Neuquén.
As lideranças dos manifestantes afirmam que se o governo não suspender o ajuste, na terça-feira que vem os piquetes serão realizados por 48 horas, e por 72 horas na semana seguinte.
A maioria dos piquetes transcorreu sem incidentes com a polícia. No bairro de La Boca, na zona sul de Buenos Aires os piqueteiros levaram suas esposas e filhos para participar da manifestação. Desta forma, uma centena de crianças entre um e sete anos integraram o piquete.

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