Mais oito reféns são liberados em Londres
Associated Press
De Stansted, Inglaterra
Os sequestradores do avião da companhia afegã Ariana Airlines libertaram ontem oito das pelo menos 150 pessoas que ainda estavam a bordo do Boeing 727 após sua aterrissagem no Aeroporto Stansted, na periferia de Londres. Os reféns três homens, três mulheres e duas crianças foram libertados em dois grupos com um intervalo de quatro horas.
Os sequestradores já haviam libertado outras 22 pessoas em troca de suprimentos durante suas paradas anteriores no Uzbequistão, Casaquistão e Rússia, antes de chegarem em Stansted pouco depois das 2 Horas locais (meia-noite de Brasília).
John Broughton, chefe-assistente da polícia do Condado de Essex, disse que as únicas exigências que os sequestradores fizeram à polícia britânica foram um gerador, comida, água, artigos básicos de higiene e alguns remédios.
A polícia britânica informou não poder confirmar a nacionalidade das 157 pessoas que acreditava-se ainda estarem a bordo da aeronave. Elas encontram-se em condições relativamente boas e as negociações com os sequestradores do avião afegão prosseguirão até onde for necessário.
O Taleban, a milícia integrista islâmica que governa 85% do Afeganistão, indicou ontem que não negociará nem aceitará nenhuma exigência dos sequestradores e exortou a Grã-Bretanha a usar a força.
O embaixador dos talebans no Paquistão, Sayed Mohammed Haqqani, leu um comunicado do líder supremo do grupo integrista, mulá Mohammed Omar, que acusou a aliança de oposição de planejar o sequestro iniciado domingo.
O Boeing 727 da companhia estatal Ariana foi sequestrado quando realizava um vôo interno entre a capital afegã Cabul e a cidade de Mazar-e-Sharif, no norte do país. O Taleban, que assegura estar construindo o mais puro Estado islâmico do mundo, está sob sanções das Nações Unidas que proíbem a Ariana Airlines de voar fora do espaço aéreo afegão por causa da negativa de extraditar o suposto terrorista saudita Osama Bin Laden.
A oposição afegã, liderada por Ahmed Shah Massod, condenou com firmeza o sequestro, afirmou ontem Massud Khalili. Segundo noticiou no domingo a agência de afegã independente AIF, com sede no Paquistão, os sequestradores teriam exigido a libertação de Ismail Khan, um ex-líder da guerrilha anti-soviética preso desde 1997. Desmentindo qualquer ligação da oposição afegã com o sequestro, Khalili disse: Khan é um comandante valioso, mas não queremos libertá-lo por meios odiosos.
As negociações entre os sequestradores, aparentemente seis homens armados, e os agentes britânicos estão sendo realizadas em inglês por meio da torre de controle do aeroporto. No entanto, os negociadores britânicos enfrentavam a complicação de negociar com um país com o qual a Grã-Bretanha não mantém relações diplomáticas. Não há um governo oficial no Afeganistão com quem possamos negociar diretamente, disse um funcionário britânico.
O governo do Taleban não é reconhecido internacionalmente e, segundo a chancelaria britânica, não há um canal direto de comunicação com a milícia integrista. Apenas três países Paquistão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos mantêm relações diplomáticas com o Taleban.





