Associated Press
De Dili, Timor Leste
Outros dois timorenses, funcionários da Missão das Nações Unidas em Timor Leste (Unamet), foram assassinados ontem pelos milicianos pró-Indonésia em Dili, apesar dos pedidos de membros da organização para que as forças de segurança indonésias aumentassem sua proteção. Segundo Fred Eckhard, porta-voz da ONU, os funcionários foram assassinados na localidade de Maliana, cenário de vários atos de violência por parte dos milicianos.
Os assassinatos ocorreram um dia depois de choques entre partidários e opositores da independência que provocaram a morte de três pessoas diante da sede da Unamet em Dili, capital de Timor Leste. A sede da missão foi sitiada pelos paramilitares e só depois de várias horas as forças de segurança indonésias entraram em ação. Na segunda-feira, outro funcionário local da ONU foi morto a punhaladas logo após o fechamento dos colégios eleitorais na localidade de Atsabe, sul de Gleno, onde na terça-feira um comboio da organização, com cerca de 150 pessoas, foi cercado pelos milicianos por várias horas.
Pressionado pela comunidade internacional e pela escalada da violência em Timor Leste, que deve piorar ainda mais após ser divulgado o resultado do plebiscito de segunda-feira, o governo indonésio, pela primeira vez, mostrou-se disposto a aceitar o envio de uma força de pacificação ao território.
O secretário de Estado indonésio, Muladi, disse ontem que ‘‘se piorar a situação, valia a pena’’ estudar a idéia do envio de uma força de pacificação. As Forças Armadas indicaram que esse envio seria necessário se o resultado do plebiscito, tal como se espera, for favorável à independência. Mais de 98% dos 450 mil eleitores timorenses compareceram às urnas e espera-se que o resultado seja anunciado até o dia 7.
Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália, Portugal e outros países vêm pressionando Jacarta a conter as ações dos milicianos que estariam sendo apoiados pela própria Indonésia.

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