Mais de cem pessoas mortas no Nepal
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de fevereiro de 2002
France Presse 
Katmandu - A guerrilha maoísta realizou um forte ataque que causou a morte de 53 membros das forças de segurança no Nepal, num momento em que o Parlamento se dispõe a discutir sobre o estado de emergência decretado no ano passado contra o levante, declararam autoridades ontem.
Também morreram durante o ataque, o mais sangrento desde novembro, entre 40 e 50 maoístas, segundo fontes do Ministério. Os rebeldes escolheram atacar na véspera da apresentação do pedido do primeiro-ministro, Sher Bahadur Deuba, ao Parlamento do prolongamento do estado de emergência imposto em novembro, segundo analistas.
O governo de Deuba deseja que a extensão da lei de emergência permita destinar forças armadas num período maior que três meses para combater a rebelião.
Os rebeldes se apoderaram do centro administrativo do governo, matando grande nnúmero de pessoas, segundo a fonte. A ofensiva dos guerrilheiros, presentes em grande número, aconteceu à meia-noite e além dos mortos, também foi registrada uma dezena de feridos, afirmou o parlamentar.
Os maoístas conservaram o controle do lugar até as seis da manhã de ontem, quando os paraquedistas intervieram e as tropas regulares retomaram o centro regional. Entretanto, os tiroteios ainda eram escutados.
Uma fonte do Ministério do Interior confirmou o ataque sem dar maiores informações, pois as comunicações com a região foram cortadas. Outra operação causou a morte de cinco membros das forças de segurança no Sul do país, segundo autoridades. Isto aconteceu em Lalbandi, a 250 km ao Sul de Katmandu, de acordo com fontes oficiais.
O ataque, que aconteceu à noite, teve como alvo um posto onde estavam 22 policiais. Também foram enviados paraquedistas para Lalbandi. Desde que começaram os confrontos em 1996, 2.300 pessoas morreram em combate, segundo balanço do Ministério do Interior.
O governo de Nepal recebeu apoio dos Estados Unidos em sua luta contra a rebelião.
País pobre e isolado, o Nepal foi sacudido há um ano pelo massacre da família real, realizado pelo príncipe herdeiro, e pela retomada da guerrilha.


