São Paulo- Centenas de civis foram mortos em ataques no fim de semana na região norte do Sri Lanka, conflagrada pelo conflito entre governo e o grupo separatista Tigres Tâmeis, ação descrita pelo escritório local da ONU como ''banho de sangue''.
Segundo autoridades médicas -única fonte de informação-, 430 mortos, entre eles 106 crianças, foram levados ao hospital improvisado na região. As vítimas devem, porém, chegar a mil, ainda conforme os médicos, uma vez que a maior parte delas ficou pelo caminho.
Para o porta-voz da ONU, Gordon Weiss, ''a matança em larga escala de civis mostra que o banho de sangue para cuja possibilidade vínhamos advertindo tornou-se realidade''.
Os Tigres Tâmeis, por meio de página na internet, disseram que as vítimas passam de 3.200 e acusam o governo de matar indiscriminadamente civis da minoria tâmil na investida contra o grupo separatista.
Colombo rejeitou as alegações e acusou os Tigres Tâmeis de promover o massacre para obter apoio internacional a um cessar-fogo que permita ao eles, acuados pela ofensiva militar, reagrupar forças.
ONGs da área de direitos humanos, que há meses denunciam a dramática situação humanitária no país, exortaram o Conselho de Segurança a convocar sessão para abordar a questão. Mas países com poder veto, como China e Rússia, relutam (consideram o tema um assunto interno cingalês).
Em janeiro, o Exército do Sri Lanka retomou a cidade de Kilinochchi, capital do Estado rebelde mantido pelos Tigres Tâmeis na região norte do país, que chegou a ter 65 mil km2, e anunciou a ''investida final'' contra o grupo. Desde então, o governo impôs sucessivos recuos aos rebeldes, hoje confinados em uma área de 5 km2.
Mas o conflito na pequena ilha do oceano Índico -pouco maior que a Paraíba- de 21 milhões de habitantes remete à independência do domínio britânico, em 1948, e à promulgação de Constituição com privilégios à maioria cingalesa (74% da população) 24 anos depois.

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