Mais de 900 morrem em tumulto em ponte de Bagdá
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quarta-feira, 31 de agosto de 2005
Das agências 
Bagdá - Mais de 900 iraquianos morreram em um tumulto ocorrido em uma ponte de Bagdá provocado por rumores de um homem-bomba. Segundo o Ministério do Interior iraquiano, o número oficial de mortos chegou a 965. Outras 475 pessoas ficaram feridas. Jaseb Latif Ali, representante do Ministério da Saúde, afirmou anteriormente que a expectativa era que o número chegasse a mais de mil.
A multidão estava a caminho de uma cerimônia religiosa xiita na mesquita de Kadhimiya, em um distrito do norte de Bagdá, quando uma pessoa não-identificada gritou que havia um homem-bomba entre a multidão, segundo informações da polícia.
A tragédia aconteceu na ponte que dá acesso ao mausoléu de Mussa al-Kazim, sétimo imã xiita, no bairro xiita de Kazimiyah, onde os peregrinos se reuniam para lembrar o aniversário de morte do imã. O Ministério do Interior informou que a maioria das vítimas é formada por mulheres e crianças muçulmanas xiitas, que morreram pisoteadas ou afogadas.
Um oceano de sapatos abandonados era visível na ponte Al-Aimah, mostrando a amplitude do drama. Várias centenas de peregrinos morreram. Este foi o dia mais sangrento no Iraque desde a queda do ditador Saddam Hussein, em abril de 2003. O dia começou com disparos de morteiros contra um mausoléu xiita, que mataram pelo menos sete civis.
De acordo com testemunhas, centenas de pessoas começaram a correr e se atiraram no rio de cima da ponte. ''Alguém gritou que havia camicases com cinturões de explosivos na multidão, e todos começaram a correr por todos os lados'', relatou uma testemunha. Muitos idosos morreram na hora. Dezenas de pessoas se afogaram e equipes de resgate trabalham para remover os corpos do rio.
O primeiro-ministro iraquiano, Ibrahim al Jaafari, decretou três dias de luto no país. O ministro do Interior, Bayan Jabor, e dois altos representantes xiitas culparam os sunitas pelo tumulto, dizendo que um deles espalhou o rumor de que haveria um homem-bomba na multidão.
No entanto, o ministro da Defesa, o árabe sunita Saadoun al Dulaimi, disse que a tragédia não está relacionada às tensões sectárias no país desde a invasão liderada pelos EUA, em março de 2003. Testemunhas apontaram a falta de organização como principal causa das mortes. Cerca de 250 mil peregrinos haviam viajado de várias partes do Iraque para a celebração.


