Mais de 60 milhões de alemães vão às urnas amanhã
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sexta-feira, 16 de setembro de 2005
France Presse 
Berlim - Quase 61 milhões de eleitores na Alemanha comparecerão às urnas amanhã para eleger antecipadamente um novo Parlamento Federal (Bundestag), que deverá consagrar a democrata-cristã (CDU/CSU) Angela Merkel ou o atual chanceler social-democrata (SPD) Gerhard Schroeder como novo chefe de Governo do país para os próximos quatro anos.
Segundo as últimas pesquisas, a CDU/CSU reúne entre 40,5 e 42% das intenções de voto, o SPD entre 33,5 e 34,5%, os Verdes 7%, os liberais (FDP) quase 6% e o novo Partido de Esquerda (LP) ao redor de 8,5%. A votação acontece em um momento crucial para a Alemanha, que, com quase 83 milhões de habitantes, é o país mais povoado e economicamente mais forte da União Européia (UE).
A antecipação das eleições (um ano antes do prazo normal), tal como aspirava o chanceler Schroeder em maio passado, depois da histórica derrota de seu partido no reduto tradicional da Renânia do Norte-Westfália (oeste), foi feita em meio a um clima de crise econômica e inquietação social.
O país ainda possui um número elevado de desempregados (4,7 milhões, mais de 11% da população ativa), as drásticas reformas do Estado de bem-estar social são muito criticadas, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permanece paralisado (previsão de menos de 1% para este ano) e a criação de postos de trabalho é insuficiente para absorver a massa de pessoas sem trabalho.
Os resultados devem ser muito apertados e tudo parece indicar que dependerão da taxa de participação eleitoral, que em 1998 foi de 82,2% e em 2002 de 79,1%.
Nenhum dos grandes partidos (SPD e CDU/CSU) alcançará de maneira isolada a maioria absoluta, segundo as sondagens, nem ao lado dos aliados mais próximos, os Verdes no caso do SPD, e os liberais (FDP) no dos democrata-cristãos. Por isso é bastante provável que as duas maiores formações políticas alemãs se vejam obrigadas a formar uma coalizão.
Merkel e Schroeder reiteraram várias vezes que não desejam a formação de uma grande aliança entre os dois partidos e insistem, em um clima de tensão, que os eleitores devem comparecer em massa às urnas para definir o futuro da Alemanha, a maior economia da zona euro.
O SPD e os Verdes também rejeitaram qualquer possibilidade de formar uma coalizão com o Partido de Esquerda (LP), integrado por neocomunistas e social-democratas decepcionados com a política de reformas de Schroeder.
Ontem, as pesquisas mostraram que 20% dos eleitores ainda estão indecisos. Em decorrência do pouco tempo para a campanha eleitoral, este ano os partidos estenderão ao final de semana os atos para persuadir os alemães, contrariando o costume de conceder os dois dias antes da votação para a reflexão dos cidadãos. A campanha foi centrada fundamentalmente em temas econômicos e fiscais.


