Bagdá - Mais de 400 mulheres foram sequestradas, violentadas e vendidas no Iraque depois da queda do regime de Saddam Hussein em abril, declarou ontem a diretora da Organização pela Liberdade das Mulheres no Iraque (Olfi), Yanar Mohamad.
''Desde que a coalizão entrou no Iraque, o país conhece uma onda de violência sem precedentes contra as mulheres. Mais de quatrocentas foram sequestradas, violentadas e vendidas'', disse a arquiteta aos jornalistas durante uma manifestação na praça de Fardus.
Um forte sentimento de angústia se apoderou das mulheres e muitas temem sair de casa. ''Antes, eu podia passear depois do trabalho. Agora, tenho pressa em voltar para casa e no caminho vou muito atenta a tudo que pode acontecer'', afirma Saihan Ali, funcionária do Ministério da Saúde. Devido à insegurança poucas compareceram à manifestação de ontem. ''Centenas de mulheres prometeram vir, mas muitas desistiram no último momento por medo e agora somos apenas cem'', acrescenta.
Os ataques são realizados por ''bandos profissionais que sequestram e vendem as mulheres ou exigem um resgate ou por indivíduos que sequestram para violentar'', destaca Mohamad. ''Bagdá se tornou uma terra de criminosos e pervertidos sexuais que atuam com grande liberdade'', denuncia Ali.
''Assim que uma mulher sai às ruas é alvo de humilhações, agressões sexuais e ameaças de sequestro'', afirma Mohammad. A Olfi acusou as forças americanas de permitirem este tipo de comportamento e de transformarem as ruas em um lugar proibido às mulheres, quando haviam prometido liberdade para ambos os sexos no Iraque''.
A organização também disse que tentou recorrer em vão ao Conselho do Governo transitório e ao administrador chefe americano Paul Bremer. A Olfi exige oo das ''forças de segurança e maiores punições para as agressões sexuais''.

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