Mais de 3 mil línguas vão desaparecer em cem anos
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sábado, 03 de junho de 2000
Associated Press De Londres 
Em menos de um século, a metade dos seis mil idiomas atualmente falados no mundo desaparecerão, enquanto o inglês, o espanhol e o chinês serão cada vez mais usados como língua viva.
A afirmação foi feita pelo linguista Steve Levinson, do Instituto de Psicolinguística da Universidade de Nujmegen, na Holanda, ao jornal britâncio The Independent. Segundo Levinson, as estimativas são de que 90% dos idiomas que sobreviveram ao final do século 20 estejam sendo falados por menos de 100 mil pessoas, enquanto só entre 200 e 250 são atualmente falados por mais de um milhão.
Os linguistas acham que em aproximadamente duas gerações 90 das línguas indígenas sob ameaça de extinção deixarão de ser faladas por morte ou assimilação da gente que as utiliza.
Estima-se que no final do século XXI a metade das línguas vivas estarão mortas ou esquecidas. Muitas delas nem sequer poderão ser registradas ou estudadas antes de sua extinção.
Cada vez que morre um idioma perde-se para sempre um produto da criatividade humana e um fragmento da história e da cultura de um povo, afirma The Independent.
Em Papua Nova Guiné, por exemplo, onde existe a maior variedade de idiomas de todo o mundo, os jovens não falam mais o idioma de seus pais e preferem comunicar-se em um inglês adaptado e elementar.
Já as razões da extinção de um idioma são muitas e variadas, e vão desde as migrações em massa até o imperialismo cultural, as guerras e o genocídio étnico.
Um dos casos de língua em extinção citados pelo jornal ocorreu na Bolívia, onde os antropólogos descobriram que apenas 20 pessoas falam o leco, uma língua que comprova os antigos contatos havidos entre os habitantes do altiplano (dos Andes) e os da Amazônia.
É muito difícil conseguir salvar um idioma em extinção. Foi o que aconteceu com o mohawk, falado pelos índios do mesmo nome na província de Québec (no Canadá): no início dos anos 70, alguns antropólogos conseguiram comunicar-se com os anciãos da tribo, que ainda o falavam, e codificaram sua ortografia e sintaxe.
Depois, o mohawk foi incluído nos programas de estudo das escolas secundárias da província e, agora, centenas de escolares utilizam essa língua como terceiro idioma (depois do francês e do inglês), salvando-a do que parecia uma morte certa.
Coréia Para dar uma risada, os sul-coreanos assistem a um gagman ou comediante. Para ver o que está a venda, eles vão eye-shopping. Aqueles nas vias expressas dirigem autobis, ou motocicletas.
A língua inglesa não é de uso comum na Coréia do Sul, mas está engatinhando, em geral rapidamente, na fala do dia-a-dia. Para os puristas, de qualquer forma, o dialeto híbrido conhecido como Konglishi mancha o orgulho nacional e sabota a campanha de melhorar o conhecimento do inglês no país.
Despedaçados e empobrecidos pela guerra meio século atrás, os sul-coreanos conquistaram enormes progressos econômicos graças ao seu abrangente e robusto sistema educacional.
Mas as escolas têm enfatizado a leitura e a rotina de memorização da gramática inglesa e do vocabulário à custa da conversação. Hoje em dia, muitos universitários graduados podem ler complexos compêndios em inglês, mas vacilam em conversas com falantes da língua.


