Santiago Pelo menos 23 manifestantes foram detidos ontem em Santiago, no Chile, onde participavam de passeata para lembrar os desaparecidos durante a ditadura do general Augusto Pinochet. Na quarta-feira completam-se 29 anos do golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende.
Convocados pela Assembléia dos Direitos Humanos, mais de três mil manifestantes segundo a polícia concentraram-se em frente o Memorial do Detido Desaparecido. Houve tensão fora do recinto, quando 50 jovens com os rostos cobertos levantaram barricadas de fogo para bloquear o trânsito. A manifestação foi reprimida pelos Carabineiros com gases lacrimogêneos e jatos d'água.
Durante a passagem pelo centro da cidade, os jovens lançaram bombas incendiárias contra uma loja da rede McDonalds, apedrejaram janelas de sucursais bancárias e derrubaram uma cabine telefônica. Buquês de cravos vermelhos cobriram as sepulturas de algumas vítimas aos pés do memorial. Seus corpos foram encontrados nos últimos anos em fossas clandestinas.
Em seu caminho para o cemitério, a coluna de manifestantes se deteve ante o monumento a Salvador Allende, na Praça da Constituição, em frente ao palácio governamental de La Moneda, onde o presidente se matou, depois do bombardeio aéreo e do ataque terrestre dos militares rebelados.
Enfrentando uma grave crise política e econômica, Allende se propunha a convocar um plebiscito no dia 10 de setembro de 1973, para determinar se continuava à frente da ''Via Chilena para o Socialismo'', recordou domingo o jornal La Nación, num artigo do jornalista Alberto Gamboa, amigo de então do presidente.

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