Maioria dos refugiados vive em países em desenvolvimento
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sábado, 20 de junho de 2009
Gilberto Costa <BR>Agência Brasil 
Brasília - No fim de 2008, 42 milhões de pessoas em todo o mundo viviam em lugares diferentes de suas origens devido a conflitos e perseguições. Vinte e seis milhões de pessoas estavam deslocadas entre as regiões do próprio país onde nasceram e 16 milhões eram refugiadas ou pessoas que pediram acolhida em outras nações.
Conforme dados do relatório Refúgio no Mundo - Tendências Globais, divulgado esta semana em Genebra (Suíça) pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), quatro em cada cinco refugiados estavam em países em desenvolvimento. De acordo com Luiz Fernando Godinho, porta-voz do Acnur, os conflitos ocorrem em países em desenvolvimento e extrapolam as fronteiras. Quando há um conflito de dimensões muito grandes, de impacto humanitário global, a vizinhança
é a primeira região afetada,
explica.
Quarenta e cinco por cento dos refugiados, no ano passado, eram do Afeganistão (2,8 milhões de pessoas) e do Iraque (1,9 milhão). No Iraque e no Congo há situações de violência generalizada, assinala Godinho. Além das populações dos dois países, havia em todo o planeta 561 mil somalianos refugiados, 419 mil sudaneses, 374 mil colombianos e 369 mil congoleses, entre os principais grupos.
A Colômbia é o único país americano apontado com grupos populacionais em refúgio. Conforme o Acnur, o país tem 3 milhões de pessoas em deslocamento interno. As razões têm a ver com a atuação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), de exércitos paramilitares e da repressão aos movimentos, segundo Ubaldo Steri, diretor da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, que acolhe refugiados.
Para Luiz Fernando Godinho, é difícil nomear um ator responsável pela situação de refúgio da Colômbia. Do ponto de vista humanitário, não interessa se está fugindo de A ou B. O importante é que aquele cidadão ou aquela família perdeu a segurança ou a proteção do Estado e precisa buscar apoio de outros países dentro do arcabouço da proteção internacional.
Os principais países de acolhida em 2008 foram o Paquistão (com 1,8 milhão de pessoas refugiadas); Síria (1,1 milhão); Irã (980 mil) e Alemanha (582,7 mil). O Brasil tem apenas 4.131 refugiados (dados do Comitê Nacional para os Refugiados - Conare).


