Bra­sí­lia - No fim de 2008, 42 mi­lhões de pes­soas em to­do o mun­do vi­viam em lu­ga­res di­fe­ren­tes de ­suas ori­gens de­vi­do a con­fli­tos e per­se­gui­ções. Vin­te e ­seis mi­lhões de pes­soas es­ta­vam des­lo­ca­das en­tre as re­giões do pró­prio ­país on­de nas­ce­ram e 16 mi­lhões ­eram re­fu­gia­das ou pes­soas que pe­di­ram aco­lhi­da em ou­tras na­ções.
  Con­for­me da­dos do re­la­tó­rio Re­fú­gio no Mun­do - Ten­dên­cias Glo­bais, di­vul­ga­do es­ta se­ma­na em Ge­ne­bra (Suí­ça) pe­lo Al­to Co­mis­sa­ria­do das Na­ções Uni­das pa­ra Re­fu­gia­dos (Ac­nur), qua­tro em ca­da cin­co re­fu­gia­dos es­ta­vam em paí­ses em de­sen­vol­vi­men­to. De acor­do com ­Luiz Fer­nan­do Go­di­nho, por­ta-voz do Ac­nur, os con­fli­tos ocor­rem em paí­ses em de­sen­vol­vi­men­to e ex­tra­po­lam as fron­tei­ras. ‘‘Quan­do há um con­fli­to de di­men­sões mui­to gran­des, de im­pac­to hu­ma­ni­tá­rio glo­bal, a vi­zi­nhan­ça
é a pri­mei­ra re­gião ­afetada’’,
ex­pli­ca.
  Qua­ren­ta e cin­co por cen­to dos re­fu­gia­dos, no ano pas­sa­do, ­eram do Afe­ga­nis­tão (2,8 mi­lhões de pes­soas) e do Ira­que (1,9 mi­lhão). ‘‘No Ira­que e no Con­go há si­tua­ções de vio­lên­cia ­generalizada’’, as­si­na­la Go­di­nho. ­Além das po­pu­la­ções dos ­dois paí­ses, ha­via em to­do o pla­ne­ta 561 mil so­ma­lia­nos re­fu­gia­dos, 419 mil su­da­ne­ses, 374 mil co­lom­bia­nos e 369 mil con­go­le­ses, en­tre os prin­ci­pais gru­pos.
  A Co­lôm­bia é o úni­co ­país ame­ri­ca­no apon­ta­do com gru­pos po­pu­la­cio­nais em re­fú­gio. Con­for­me o Ac­nur, o ­país tem 3 mi­lhões de pes­soas em des­lo­ca­men­to in­ter­no. As ra­zões têm a ver com a atua­ção das For­ças Ar­ma­das Re­vo­lu­cio­ná­rias da Co­lôm­bia (­Farc), de exér­ci­tos pa­ra­mi­li­ta­res e da re­pres­são aos mo­vi­men­tos, se­gun­do Ubal­do Ste­ri, di­re­tor da Cá­ri­tas Ar­qui­dio­ce­sa­na de São Pau­lo, que aco­lhe re­fu­gia­dos.
  Pa­ra ­Luiz Fer­nan­do Go­di­nho, é di­fí­cil no­mear ‘‘um ­ator’’ res­pon­sá­vel pe­la si­tua­ção de re­fú­gio da Co­lôm­bia. ‘‘Do pon­to de vis­ta hu­ma­ni­tá­rio, não in­te­res­sa se es­tá fu­gin­do de A ou B. O im­por­tan­te é que aque­le ci­da­dão ou aque­la fa­mí­lia per­deu a se­gu­ran­ça ou a pro­te­ção do Es­ta­do e pre­ci­sa bus­car ­apoio de ou­tros paí­ses den­tro do ar­ca­bou­ço da pro­te­ção ­internacional’’.
  Os prin­ci­pais paí­ses de aco­lhi­da em 2008 fo­ram o Pa­quis­tão (com 1,8 mi­lhão de pes­soas re­fu­gia­das); Sí­ria (1,1 mi­lhão); Irã (980 mil) e Ale­ma­nha (582,7 mil). O Bra­sil tem ape­nas 4.131 re­fu­gia­dos (da­dos do Co­mi­tê Na­cio­nal pa­ra os Re­fu­gia­dos - Co­na­re).

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