Maior desafio é conjugar liberdade e justiça social
France Presse
O Papa condenou ontem duramente o modelo neoliberal, mas também o totalitarismo, durante a missa em Havana, na qual se referiu várias vezes à necessidade de mudanças no sistema político cubano. Os sistemas ideológicos e econômicos que têm se sucedido nos dois últimos séculos com frequência potencializaram o confronto como método, já que continham em seu programa os germes da oposição e da desunião, disse o Papa, antes de lembrar que um Estado moderno não pode fazer do ateísmo ou da religião uma de suas coordenadas políticas.
Por outro lado, ressurge em vários lugares uma forma de neoliberalismo capitalista que subordina a pessoa humana e condiciona o desenvolvimento dos povos às forças cegas do mercado, atingindo de seus centros de poder os países menos favorecidos com cargas insuportáveis. Assim, algumas vezes, se impõem às nações, como condições para receber novas ajudas, programas econômicos insustentáveis, disse.
Depois assinalou que deste modo se assiste no concerto das nações o enriquecimento exagerado de uns poucos à custa do empobrecimento crescente de muitos, de forma que os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Este trecho foi lido com especial ênfase pelo Papa, que foi interrompido várias vezes pelos aplausos.
Depois de condenar as duas formas de sistemas políticos, João Paulo II fez um apelo à conquista da liberdade, a qual considerou uma tarefa imprescindível a toda pessoa. Para muitos dos sistemas políticos e econômicos hoje vigentes o maior desafio continua sendo conjugar liberdade e justiça social, liberdade e solidariedade, sem que nenhuma fique relegada a um plano inferior. Neste sentido a Doutrina Social da Igreja é um esforço de reflexão e proposta, que tenta iluminar e conciliar as relações entre os direitos inalienáveis de cada homem e as exigências sociais (...).
Como conclusão de seu texto, o papa assinalou que Cuba tem uma alma cristã e isso a levou a ter uma vocação universal. Chamada a vencer o isolamento, há que se abrir ao mundo e o mundo há que se aproximar de Cuba, de seu povo, de seus filhos que sem dúvida são sua maior riqueza. Esta é a hora de empreender os novos caminhos que exigem os tempos em que vivemos, ao se aproximar o terceiro milênio da era cristã!.





