Maior atentado na Argentina terá julgamento na segunda
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segunda-feira, 17 de setembro de 2001
Ariel Palácios<BR>Agência Estado<BR>De Buenos Aires 
Na próxima segunda-feira à tarde a Justiça argentina começará a julgar os envolvidos no atentado à associação beneficente judaica AMIA, destruída por um carro bomba no dia 14 de junho de 1994. O atentado o maior da história da Argentina causou a morte de 85 pessoas e ferimentos e mutilações em outras trezentas. Entre os envolvidos estão policiais da província de Buenos Aires e o brasileiro Wilson dos Santos.
O julgamento está sendo considerado o mais importante do país desde que em 1985 os líderes da última Ditadura Militar (1976-83) passaram pelo banco dos réus. No total, serão julgadas vinte pessoas (treze são policiais), das quais cinco poderiam ser condenadas à prisão perpétua, na categoria de cúmplices do atentado.
Embora não existam provas definitivas, considera-se que o responsável pelo atentado foi o Hezbollah, o que, no atual contexto de clima bélico contra o terrorismo internacional, chamará a atenção de todo o mundo.
O julgamento será realizado no edifício dos Tribunais, no bairro de Retiro. A sala foi construída especialmente em um subsolo com um rigoroso sistema de segurança. Mais de 200 policiais controlarão o acesso à sala do julgamento.
Entre os suspeitos existem policiais com vínculos com a máfia do tráfico de drogas e de automóveis, parentes de torturadores da ditadura e militares carapintadas. Além deles, estará Wilson dos Santos, um brasileiro que em estranhas circunstâncias teria informado o consulado argentino em Milão que iria ocorrer um atentado contra um alvo judeu em Buenos Aires uma semana antes. Santos está há meses preso em Buenos Aires, à espera do julgamento.
Na véspera do julgamento, a possibilidade de um ataque americano ao Afeganistão nos próximos dias e o Ano Novo judeu estão criando um clima de tensão que há tempos não se via na Argentina. No país está concentrada a maior comunidade judaica da América Latina (a segunda do continente, depois dos EUA), com mais de 600 mil pessoas, dos quais pelo menos metade está em Buenos Aires.
O secretário de Justiça, Melchor Cruchaga, alertou que ''a Argentina não está totalmente livre de um novo atentado terrorista''. Os aeroportos argentinos estão em ''nível de ameaça 3''. As empresas aéreas estão recomendando a seus passageiros que se apresentem com uma antecedência de três horas antes dos vôos.


