Maior ataque a tiros da história dos EUA mata 59 em Las Vegas
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segunda-feira, 02 de outubro de 2017
Isabel Fleck<br>Folhapress 

Washington - Do alto de um hotel em Las Vegas, um atirador matou pelo menos 58 pessoas e feriu mais de 527 num festival de música country na noite de domingo (1º), madrugada desta segunda (2) em Brasília. Este foi o mais grave ataque deste tipo na história moderna dos EUA. O assassino, identificado como Stephen Paddock, 64, fez os disparos do 32º andar do hotel Mandalay Bay, que fica próximo ao local do festival, na Las Vegas Strip, principal rua da cidade. Ele foi encontrado morto pelos policiais dentro do hotel.
De acordo com a polícia, mais de 22 mil pessoas estavam no show na hora do ataque. Não está clara ainda a motivação do atirador, que morava na cidade de Mesquite, em Nevada, a 120 km de Las Vegas. Paddock não tinha passagem pela polícia. As autoridades informaram que ele estava hospedado no Mandalay Bay desde o última quinta-feira (28). Segundo o jornal "The New York Times", no quarto de hotel foram encontradas 19 armas, sendo dois rifles posicionados em cima de tripés próximos as janelas.
Os tiros começaram por volta das 22h de domingo (2h de segunda em Brasília), durante o show em uma arena aberta do cantor Jason Aldean no festival Route 91 Harvest, em uma área com vários resorts em Las Vegas. Pouco depois da meia-noite, a polícia informou que o atirador estava morto.
Ao ouvirem os disparos, as pessoas começaram a se deitar no chão e a procurar abrigo em meio ao descampado.
Vídeos feitos com celular capturaram cerca de dez segundos de tiroteio intenso, seguidos de 37 segundos sem o barulho de armas. Uma segunda rodada de tiros então começa, com gritos de desespero das pessoas no local. Em uma rede social, Aldean declarou que "dói o meu coração que isso tenha acontecido com pessoas que estavam apenas curtindo o que deveria ter sido uma saída divertida".
No Twitter, usuários compartilharam vídeos que mostram o momento em que os tiros começaram. O consultor financeiro Mike McGarry, 53, disse que estava no festival quando ouviu centenas de disparos de tiros. "Foi uma loucura - eu me deitei em cima do pessoal. Eles têm 20 anos. Eu tenho 53. Eu já vivi uma boa vida", afirmou. A parte de trás de sua camiseta tinha marcas de pegadas de pessoas que tinham corrido por cima dele depois que a multidão entrou em pânico.
O número de vítimas registrado é maior que o do atentado de 2016 na boate gay Pulse, em Orlando, Flórida, quando um atirador que alegou ter ligações com a milícia terrorista Estado Islâmico matou 49 pessoas.
A milícia terrorista EI (Estado Islâmico) reivindicou a autoria do ataque, porém o FBI afirma que não há evidências ligando Paddock a qualquer grupo militante internacional. A polícia de Las Vegas havia afirmado que a motivação de Paddock, que não tinha passagem pela polícia, não estava clara.
NENHUM BRASILEIRO
O Itamaraty informou em comunicado que não havia registros de brasileiros entre as vítimas do ataque.
Para Trump, ato foi 'pura maldade'
Washington - Sem fazer qualquer menção à discussão sobre porte de armas, o presidente Donald Trump fez um pronunciamento na manhã desta segunda (2) pedindo união ao país após um atirador matar ao menos 58 pessoas e ferir mais de 515 em um show em Las Vegas. "Em tempos como esses, sei que estamos procurando algum tipo de significado no caos, algum tipo de luz na escuridão. As respostas não vêm facilmente", disse Trump, na Casa Branca, na declaração de cerca de cinco minutos.
Em seu pronunciamento, o presidente classificou o ataque como um "ato de pura maldade" e prestou condolências às vítimas e às suas famílias, cuja dor "não podemos entender" e fez referências à Bíblia e a Deus. "Rezamos pelo dia em que o mal será banido e que os inocentes estarão a salvo do ódio e do medo", disse Trump. "Nossa união não pode ser quebrada pelo mal", afirmou. "Em momentos de tragédia e horror, a América se une em uma só."
Mais tarde, a jornalistas, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse que o dia era de luto e não de discutir política, quando questionada se o presidente considera rever o controle para venda de armas de fogo. "Há hora e lugar para o debate político. Agora é hora de nos unirmos como país", disse. "Seria prematuro discutir políticas quando não sabemos todos os fatos."
Sanders, no entanto, depois afirmou que Trump segue "um forte apoiador da Segunda Emenda" americana, que prevê o direito dos cidadãos a portar armas. "Uma das coisas que não queremos fazer é criar leis que não vão fazer com que esse tipo de coisa pare de acontecer", disse.
O presidente afirmou que visitará Las Vegas nesta quarta-feira (4), já que ele havia se programado para viajar na terça a Porto Rico, que foi devastada na última semana por um furacão.(I.F.)


