Mafioso argentino aparece morto
Agência Estado
France PresseAlfredo Yabrán: inimigo nº 1‘‘Não atirem, o patrãozinho se matou!’’ Como epitáfio, essas palavras parecem pouco eloquentes para o suicídio de um mafioso como o empresário argentino Alfredo Yabrán. Mas na urgência de pensar em pronunciar outras, o caseiro explicou assim aos policiais que realizavam uma batida na Fazenda de Sán Ignácio que seu patrão havia se suicidado. A morte ocorreu às 13h30 de ontem, a 10 quilômetros de Concepción de Uruguai, na província de Entre Ríos. Yabrán era procurado pela Justiça, suspeito do assassinato do fotógrafo José María Cabezas.
Quinze minutos depois de divulgada a notícia da morte do empresário, Martín Febre, chefe da assessoria de imprensa da província de Entre Ríos, prematuramente anunciava que havia sido um suicídio. O jornalista especializado em temas policiais Enrique Sdrech afirmou que era estranho que o corpo, encontrado de bruços no chão, pudesse ser considerado o de um suicida.
O empresário, ligado ao poder Executivo, começou a ser procurado depois que a ex-policial Silvia Belawsky confessou na sexta-feira à Justiça que seu marido, o ex-policial e guarda-costas de Yabrán, Gustavo Prellezo, havia assassinado o fotógrafo José Luis Cabezas por ordem do empresário.
O ex-ministro da Economia, Antonio Cavallo, foi o primeiro a denunciar as atividades mafiosas de Yabrán. Cavallo, que ontem havia convocado uma entrevista coletiva para comentar a fuga de Yabrán, viu-se abismado com a notícia da morte do empresário.
Exemplificando o envolvimento de juízes federais com Yabrán, o ex-ministro afirmou que ‘‘a corrupção judicial é para a segurança do país o que a hiperinflação é para a economia’’. Cavallo sustentou que ‘‘a organização conseguiu colocar boa parte do governo a seu serviço’’. Segundo ele, ‘‘teremos de averiguar todos os detalhes desta morte e investigar os juízes, a polícia, legisladores e o poder Executivo até que se consiga desmontar completamente essa organização mafiosa’’.

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